A CRIMINALIZAÇÃO DOS POBRES
Enquanto o grileiro grila a terra a mídia coloca o povo contra o povo.
Ao atacar o MST, criminalizando como um movimento que transita fora da legislação, a Mídia está, na verdade criminalizando os milhões de milhões de brasileiros do campo e da cidade que são excluídos da terra, da moradia, do acesso à educação, à saúde e á alimentação digna. Ao criminalizar os Movimentos sociais, os meios de comunicação de massa e a bancada ruralista estão querendo, a todo custo colocar a sociedade contra a reforma agrária e em defesa de uma estrutura agrária perversa e do agronegócio, onde os monocultivos de laranja, de soja, de cana, de algodão e de eucalipto são mais importantes que os milhões de sem-terra lutando contra aqueles que fazem a grilagem da terra. A mídia e a bancada ruralista não querem que a sociedade brasileira se veja no rosto daqueles que produzem a comida que chega à mesa do povo, mas sim, nas grandes máquinas, nos aviões jogando veneno nos monocultivos, na destruição dos bens da natureza e nos grandes investimentos para modernizar o "plantation" a serviço do grande capital.
O objeto da CPMI, que é o deseja da bancada ruralista, não somente garantir essa estrutura fundiária maléfica e perniciosa, mas, também, garantir que os bilhões de reais que saem do bolso do povo brasileiro sejam destinados ao agronegócio, ou seja, grandes barragens, transnordestina, transposição, tudo para viabilizar a "plantation".
Em nome da democracia, a aristocracia continua controlando a terra, a educação, a saída, a moradia, os bens da natureza. Continua controlando o Estado. Uma coisa é certa: não podemos continuar nos vendo na tela da globo, da mídia que nos engana, no discurso eleitoral alienante, nas imagens bonitas e perversas do agronegócio. " Eis que plantei muito e não tenho nada... deixe que ele diga que sou preguiçoso mas não planto em tempo que é de queimada e é por meio dos laranjas que as terras públicas estão sendo griladas por tantos grileiros, como por exemplo deputados da bancada ruralista.
Derli Casali - MPA/Nordeste
sábado, 24 de outubro de 2009
terça-feira, 20 de outubro de 2009

VIA CAMPESINA
Alagoas
MMC – mpa – MST – cpp – povos indígenas – consulta popular
Aos Lutadores e Lutadoras da Reforma Agrária
Companheiros e Companheiras
Historicamente os camponeses (as) neste país foram excluídos do direito a terra e execrados de sua identidade e culturas, como a que se deu com os povos indígenas na invasão dos colonizadores. Neste período saquearam o ouro e a madeira para manter o luxo e o padrão de riqueza da elite européia, para tanto, escravizaram e fizeram extermínio em massa dos povos que aqui sempre existiram. Não o bastante, a coroa portuguesa traficou negros da África para lhes servir de mão-de-obra escrava nas fazendas, num outro momento da história o Brasil foi marcado pela corrupção da ditadura militar, pelo domínio dos meios de comunicação, da igreja, da educação, dos meios de produção e riqueza num famigerado jogo político. Este processo não foi diferente com o povo alagoano, criados com um cabresto nas fazendas de gado e nos engenhos e usinas de cana de açúcar. A elite é quem decidiu o que deviríamos estudar, comer, vestir e agindo com violência por meio da pistolagem e da criminalização dos Povos Indígenas e dos Movimentos Sociais.
A história se repete. E os séculos que se passam são marcados pela ação do capital que destrói, escraviza mentes, braços e corações. Por isso é preciso dizer a público que recursos como os do canal do sertão que já foram gastos mais de três vezes para fazer a mesma obra, estão a serviço do latifúndio e das oligarquias sertanejas, é uma obra de ilegalidades contestada e comprovada pelo Ministério Público e pelo Tribunal de Constas da União que atingirá 42 municípios e fortalecerá grandes empresários do ramo da fruticultura, promoverá o avanço da cana de açúcar para o Agreste e Sertão do Estado como atesta dados do IBGE/MAPA que diz que o solo do Sertão é razoável com irrigação e sem irrigação para produção de etanol.
Apresentamos aqui uma lista de grandes projetos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), do Agronegócio e Hidronegócio que já estão sendo implantados ou em elaboração: a implantação da Vale Verde na região do Agreste para exploração de minério, já vem destruindo a caatinga e sonegando direitos sagrados dos camponeses (as) na região, a construção da barragem das trairás em Pão de Açúcar matará de uma vez por todas a região do Baixo Rio São Francisco e conseqüentemente o seu povo, Barragem do Bálsamo em Palmeira dos Índios que impactaram o meio ambiente e muitas comunidades camponesas e indígenas, em breve a construção da transnordestina que passará de canto a canto do Estado favorecendo o modelo agroexportador, a linha verde que cortará toda a zona costeira de Alagoas, expulsando as populações pesqueiras para dar lugar a implantação de grandes hotéis de luxo se encarregando de privatizar as águas, intensificação da plantação do monocultivo do eucalipto, cana de açúcar transgênica, etc. Além, disto o governo do Estado vem defendendo a construção de usina núclear na região do Rio São Francisco, como se não bastasse as grandes barragens e ainda as obras da transposição do Rio São Francisco que vem decretando a morte do rio e de seu povo.
A Via Campesina de Alagoas vem denunciar e convocar a sociedade a se juntar com os camponeses e camponesas em luta, pois é urgente e necessária fazer a Reforma Agrária no Brasil e em Alagoas, desapropriar as terras improdutivas e os latifúndios produtivos de monocultivos que só gera mais riquezas para a elite. Para dar lugar à agricultura camponesa que produz alimento, que preserva o meio ambiente e que gera emprego e renda. Sendo uma alternativa de sustentabilidade real política, ética, econômica, social, cultural e ambiental que definitivamente se contrapõe ao modelo devorador da vida no planeta.
É possível sim outro jeito de ser e viver na terra, mas para isso, é preciso que os governos façam a Reforma Agrária e demarcação dos territórios tradicionais indígenas, quilombolas e pesqueiros. Invistam na agricultura camponesa com subsídios para produzir e alimentar os famintos e estocagem, garantindo assim a soberania alimentar. Políticas públicas estruturantes são necessários como: a garantia dos direitos previdenciários, educação camponesa e contextualizada, política publica de habitação, preservação das sementes crioulas como patrimônio dos povos, preservação do meio ambiente e biomas rios, aguadas, lagoas, fontes de minação, repensar a nossa matriz energética, barrar todas as formas de compra de terra para empresas transnacionais e tantas outras políticas necessárias para a preservação da vida da humanidade.
Nós pequenos agricultores, pescadores artesanais, mulheres camponesas, indígenas, quilombola, nos juntamos numa só voz e convocamos toda a classe trabalhadora alagoana a denunciar e a fazer a luta pela reforma agrária, reforçando e apoiando a marcha estadual do por Reforma Agrária e Soberania Popular do MST - AL, como meio de garantir à continuidade do campesinato. Como forma de garantia de vida e com alimento sadio, abundante e acessível para toda a população do nosso estado e do nosso país.
Convocamos o povo alagoano para discutir um Projeto Popular Alternativo e Político que promova a dignidade, a autonomia dos povos e soberania popular. Direitos dos quais, a Constituição Federal aponta mas, que na realidade nos é negado. Que o Povo se Levante e a Vida Floresça com Fartura e Justiça.
Viva a Luta pela Reforma Agrária!
Viva a Agricultura Camponesa!
Pátria Livre! Venceremos!
Globalizemos a Luta! Globalizemos a Esperança!
Via Campesina Alagoas, outubro de 2009.
sábado, 10 de outubro de 2009
Esclarecimentos sobre últimos episódios 9 de outubro de 2009 Diante dos últimos episódios que envolvem o MST e vêm repercutindo na mídia, a direção na
Esclarecimentos sobre últimos episódios
9 de outubro de 2009
Diante dos últimos episódios que envolvem o MST e vêm repercutindo na mídia, a direção nacional do MST vem a público se pronunciar.
1. A nossa luta é pela democratização da propriedade da terra, cada vez mais concentrada em nosso país. O resultado do Censo de 2006, divulgado na semana passada, revelou que o Brasil é o país com a maior concentração da propriedade da terra do mundo. Menos de 15 mil latifundiários detêm fazendas acima de 2,5 mil hectares e possuem 98 milhões de hectares. Cerca de 1% de todos os proprietários controla 46% das terras.
2. Há uma lei de Reforma Agrária para corrigir essa distorção histórica. No entanto, as leis a favor do povo somente funcionam com pressão popular. Fazemos pressão por meio da ocupação de latifúndios improdutivos e grandes propriedades, que não cumprem a função social, como determina a Constituição de 1988.
A Constituição Federal estabelece que devem ser desapropriadas propriedades que estão abaixo da produtividade, não respeitam o ambiente, não respeitam os direitos trabalhistas e são usadas para contrabando ou cultivo de drogas.
3. Também ocupamos as fazendas que têm origem na grilagem de terras públicas, como acontece, por exemplo, no Pontal do Paranapanema e em Iaras (empresa Cutrale), no Pará (Banco Opportunity) e no sul da Bahia (Veracel/Stora Enso). São áreas que pertencem à União e estão indevidamente apropriadas por grandes empresas, enquanto se alega que há falta de terras para assentar trabalhadores rurais sem terras.
4. Os inimigos da Reforma Agrária querem transformar os episódios que aconteceram na fazenda grilada pela Cutrale para criminalizar o MST, os movimentos sociais, impedir a Reforma Agrária e proteger os interesses do agronegócio e dos que controlam a terra.
5. Somos contra a violência. Sabemos que a violência é a arma utilizada sempre pelos opressores para manter seus privilégios. E, principalmente, temos o maior respeito às famílias dos trabalhadores das grandes fazendas quando fazemos as ocupações. Os trabalhadores rurais são vítimas da violência. Nos últimos anos, já foram assassinados mais de 1,6 mil companheiros e companheiras, e apenas 80 assassinos e mandantes chegaram aos tribunais. São raros aqueles que tiveram alguma punição, reinando a impunidade, como no caso do Massacre de Eldorado de Carajás.
6. As famílias acampadas recorreram à ação na Cutrale como última alternativa para chamar a atenção da sociedade para o absurdo fato de que umas das maiores empresas da agricultura - que controla 30% de todo suco de laranja no mundo - se dedique a grilar terras. Já havíamos ocupado a área diversas vezes nos últimos 10 anos, e a população não tinha conhecimento desse crime cometido pela Cutrale.
7. Nós lamentamos muito quando acontecem desvios de conduta em ocupações, que não representam a linha do movimento. Em geral, eles têm acontecido por causa da infiltração dos inimigos da Reforma Agrária, seja dos latifundiários ou da policia.
8. Os companheiros e companheiras do MST de São Paulo reafirmam que não houve depredação nem furto por parte das famílias que ocuparam a fazenda da Cutrale. Quando as famílias saíram da fazenda, não havia ambiente de depredações, como foi apresentado na mídia. Representantes das famílias que fizeram a ocupação foram impedidos de acompanhar a entrada dos funcionários da fazenda e da PM, após a saída da área. O que aconteceu desde a saída das famílias e a entrada da imprensa na fazenda deve ser investigado.
9. Há uma clara articulação entre os latifundiários, setores conservadores do Poder Judiciário, serviços de inteligência, parlamentares ruralistas e setores reacionários da imprensa brasileira para atacar o MST e a Reforma Agrária. Não admitem o direito dos pobres se organizarem e lutarem.
Em períodos eleitorais, essas articulações ganham mais força política, como parte das táticas da direita para impedir as ações do governo a favor da Reforma Agrária e "enquadrar" as candidaturas dentro dos seus interesses de classe.
10. O MST luta há mais de 25 anos pela implantação de uma Reforma Agrária popular e verdadeira. Obtivemos muitas vitórias: mais de 500 mil famílias de trabalhadores pobres do campo foram assentados. Estamos acostumados a enfrentar as manipulações dos latifundiários e de seus representantes na imprensa.
À sociedade, pedimos que não nos julgue pela versão apresentada pela mídia. No Brasil, há um histórico de ruptura com a verdade e com a ética pela grande mídia, para manipular os fatos, prejudicar os trabalhadores e suas lutas e defender os interesses dos poderosos.
Apesar de todas as dificuldades, de nossos erros e acertos e, principalmente, das artimanhas da burguesia, a sociedade brasileira sabe que sem a Reforma Agrária será impossível corrigir as injustiças sociais e as desigualdades no campo. De nossa parte, temos o compromisso de seguir organizando os pobres do campo e fazendo mobilizações e lutas pela realização dos direitos do povo à terra, educação e dignidade.
São Paulo, 9 de outubro de 2009
DIREÇÃO NACIONAL DO MST
9 de outubro de 2009
Diante dos últimos episódios que envolvem o MST e vêm repercutindo na mídia, a direção nacional do MST vem a público se pronunciar.
1. A nossa luta é pela democratização da propriedade da terra, cada vez mais concentrada em nosso país. O resultado do Censo de 2006, divulgado na semana passada, revelou que o Brasil é o país com a maior concentração da propriedade da terra do mundo. Menos de 15 mil latifundiários detêm fazendas acima de 2,5 mil hectares e possuem 98 milhões de hectares. Cerca de 1% de todos os proprietários controla 46% das terras.
2. Há uma lei de Reforma Agrária para corrigir essa distorção histórica. No entanto, as leis a favor do povo somente funcionam com pressão popular. Fazemos pressão por meio da ocupação de latifúndios improdutivos e grandes propriedades, que não cumprem a função social, como determina a Constituição de 1988.
A Constituição Federal estabelece que devem ser desapropriadas propriedades que estão abaixo da produtividade, não respeitam o ambiente, não respeitam os direitos trabalhistas e são usadas para contrabando ou cultivo de drogas.
3. Também ocupamos as fazendas que têm origem na grilagem de terras públicas, como acontece, por exemplo, no Pontal do Paranapanema e em Iaras (empresa Cutrale), no Pará (Banco Opportunity) e no sul da Bahia (Veracel/Stora Enso). São áreas que pertencem à União e estão indevidamente apropriadas por grandes empresas, enquanto se alega que há falta de terras para assentar trabalhadores rurais sem terras.
4. Os inimigos da Reforma Agrária querem transformar os episódios que aconteceram na fazenda grilada pela Cutrale para criminalizar o MST, os movimentos sociais, impedir a Reforma Agrária e proteger os interesses do agronegócio e dos que controlam a terra.
5. Somos contra a violência. Sabemos que a violência é a arma utilizada sempre pelos opressores para manter seus privilégios. E, principalmente, temos o maior respeito às famílias dos trabalhadores das grandes fazendas quando fazemos as ocupações. Os trabalhadores rurais são vítimas da violência. Nos últimos anos, já foram assassinados mais de 1,6 mil companheiros e companheiras, e apenas 80 assassinos e mandantes chegaram aos tribunais. São raros aqueles que tiveram alguma punição, reinando a impunidade, como no caso do Massacre de Eldorado de Carajás.
6. As famílias acampadas recorreram à ação na Cutrale como última alternativa para chamar a atenção da sociedade para o absurdo fato de que umas das maiores empresas da agricultura - que controla 30% de todo suco de laranja no mundo - se dedique a grilar terras. Já havíamos ocupado a área diversas vezes nos últimos 10 anos, e a população não tinha conhecimento desse crime cometido pela Cutrale.
7. Nós lamentamos muito quando acontecem desvios de conduta em ocupações, que não representam a linha do movimento. Em geral, eles têm acontecido por causa da infiltração dos inimigos da Reforma Agrária, seja dos latifundiários ou da policia.
8. Os companheiros e companheiras do MST de São Paulo reafirmam que não houve depredação nem furto por parte das famílias que ocuparam a fazenda da Cutrale. Quando as famílias saíram da fazenda, não havia ambiente de depredações, como foi apresentado na mídia. Representantes das famílias que fizeram a ocupação foram impedidos de acompanhar a entrada dos funcionários da fazenda e da PM, após a saída da área. O que aconteceu desde a saída das famílias e a entrada da imprensa na fazenda deve ser investigado.
9. Há uma clara articulação entre os latifundiários, setores conservadores do Poder Judiciário, serviços de inteligência, parlamentares ruralistas e setores reacionários da imprensa brasileira para atacar o MST e a Reforma Agrária. Não admitem o direito dos pobres se organizarem e lutarem.
Em períodos eleitorais, essas articulações ganham mais força política, como parte das táticas da direita para impedir as ações do governo a favor da Reforma Agrária e "enquadrar" as candidaturas dentro dos seus interesses de classe.
10. O MST luta há mais de 25 anos pela implantação de uma Reforma Agrária popular e verdadeira. Obtivemos muitas vitórias: mais de 500 mil famílias de trabalhadores pobres do campo foram assentados. Estamos acostumados a enfrentar as manipulações dos latifundiários e de seus representantes na imprensa.
À sociedade, pedimos que não nos julgue pela versão apresentada pela mídia. No Brasil, há um histórico de ruptura com a verdade e com a ética pela grande mídia, para manipular os fatos, prejudicar os trabalhadores e suas lutas e defender os interesses dos poderosos.
Apesar de todas as dificuldades, de nossos erros e acertos e, principalmente, das artimanhas da burguesia, a sociedade brasileira sabe que sem a Reforma Agrária será impossível corrigir as injustiças sociais e as desigualdades no campo. De nossa parte, temos o compromisso de seguir organizando os pobres do campo e fazendo mobilizações e lutas pela realização dos direitos do povo à terra, educação e dignidade.
São Paulo, 9 de outubro de 2009
DIREÇÃO NACIONAL DO MST
9 de outubro de 2009
Diante dos últimos episódios que envolvem o MST e vêm repercutindo na mídia, a direção nacional do MST vem a público se pronunciar.
1. A nossa luta é pela democratização da propriedade da terra, cada vez mais concentrada em nosso país. O resultado do Censo de 2006, divulgado na semana passada, revelou que o Brasil é o país com a maior concentração da propriedade da terra do mundo. Menos de 15 mil latifundiários detêm fazendas acima de 2,5 mil hectares e possuem 98 milhões de hectares. Cerca de 1% de todos os proprietários controla 46% das terras.
2. Há uma lei de Reforma Agrária para corrigir essa distorção histórica. No entanto, as leis a favor do povo somente funcionam com pressão popular. Fazemos pressão por meio da ocupação de latifúndios improdutivos e grandes propriedades, que não cumprem a função social, como determina a Constituição de 1988.
A Constituição Federal estabelece que devem ser desapropriadas propriedades que estão abaixo da produtividade, não respeitam o ambiente, não respeitam os direitos trabalhistas e são usadas para contrabando ou cultivo de drogas.
3. Também ocupamos as fazendas que têm origem na grilagem de terras públicas, como acontece, por exemplo, no Pontal do Paranapanema e em Iaras (empresa Cutrale), no Pará (Banco Opportunity) e no sul da Bahia (Veracel/Stora Enso). São áreas que pertencem à União e estão indevidamente apropriadas por grandes empresas, enquanto se alega que há falta de terras para assentar trabalhadores rurais sem terras.
4. Os inimigos da Reforma Agrária querem transformar os episódios que aconteceram na fazenda grilada pela Cutrale para criminalizar o MST, os movimentos sociais, impedir a Reforma Agrária e proteger os interesses do agronegócio e dos que controlam a terra.
5. Somos contra a violência. Sabemos que a violência é a arma utilizada sempre pelos opressores para manter seus privilégios. E, principalmente, temos o maior respeito às famílias dos trabalhadores das grandes fazendas quando fazemos as ocupações. Os trabalhadores rurais são vítimas da violência. Nos últimos anos, já foram assassinados mais de 1,6 mil companheiros e companheiras, e apenas 80 assassinos e mandantes chegaram aos tribunais. São raros aqueles que tiveram alguma punição, reinando a impunidade, como no caso do Massacre de Eldorado de Carajás.
6. As famílias acampadas recorreram à ação na Cutrale como última alternativa para chamar a atenção da sociedade para o absurdo fato de que umas das maiores empresas da agricultura - que controla 30% de todo suco de laranja no mundo - se dedique a grilar terras. Já havíamos ocupado a área diversas vezes nos últimos 10 anos, e a população não tinha conhecimento desse crime cometido pela Cutrale.
7. Nós lamentamos muito quando acontecem desvios de conduta em ocupações, que não representam a linha do movimento. Em geral, eles têm acontecido por causa da infiltração dos inimigos da Reforma Agrária, seja dos latifundiários ou da policia.
8. Os companheiros e companheiras do MST de São Paulo reafirmam que não houve depredação nem furto por parte das famílias que ocuparam a fazenda da Cutrale. Quando as famílias saíram da fazenda, não havia ambiente de depredações, como foi apresentado na mídia. Representantes das famílias que fizeram a ocupação foram impedidos de acompanhar a entrada dos funcionários da fazenda e da PM, após a saída da área. O que aconteceu desde a saída das famílias e a entrada da imprensa na fazenda deve ser investigado.
9. Há uma clara articulação entre os latifundiários, setores conservadores do Poder Judiciário, serviços de inteligência, parlamentares ruralistas e setores reacionários da imprensa brasileira para atacar o MST e a Reforma Agrária. Não admitem o direito dos pobres se organizarem e lutarem.
Em períodos eleitorais, essas articulações ganham mais força política, como parte das táticas da direita para impedir as ações do governo a favor da Reforma Agrária e "enquadrar" as candidaturas dentro dos seus interesses de classe.
10. O MST luta há mais de 25 anos pela implantação de uma Reforma Agrária popular e verdadeira. Obtivemos muitas vitórias: mais de 500 mil famílias de trabalhadores pobres do campo foram assentados. Estamos acostumados a enfrentar as manipulações dos latifundiários e de seus representantes na imprensa.
À sociedade, pedimos que não nos julgue pela versão apresentada pela mídia. No Brasil, há um histórico de ruptura com a verdade e com a ética pela grande mídia, para manipular os fatos, prejudicar os trabalhadores e suas lutas e defender os interesses dos poderosos.
Apesar de todas as dificuldades, de nossos erros e acertos e, principalmente, das artimanhas da burguesia, a sociedade brasileira sabe que sem a Reforma Agrária será impossível corrigir as injustiças sociais e as desigualdades no campo. De nossa parte, temos o compromisso de seguir organizando os pobres do campo e fazendo mobilizações e lutas pela realização dos direitos do povo à terra, educação e dignidade.
São Paulo, 9 de outubro de 2009
DIREÇÃO NACIONAL DO MST
9 de outubro de 2009
Diante dos últimos episódios que envolvem o MST e vêm repercutindo na mídia, a direção nacional do MST vem a público se pronunciar.
1. A nossa luta é pela democratização da propriedade da terra, cada vez mais concentrada em nosso país. O resultado do Censo de 2006, divulgado na semana passada, revelou que o Brasil é o país com a maior concentração da propriedade da terra do mundo. Menos de 15 mil latifundiários detêm fazendas acima de 2,5 mil hectares e possuem 98 milhões de hectares. Cerca de 1% de todos os proprietários controla 46% das terras.
2. Há uma lei de Reforma Agrária para corrigir essa distorção histórica. No entanto, as leis a favor do povo somente funcionam com pressão popular. Fazemos pressão por meio da ocupação de latifúndios improdutivos e grandes propriedades, que não cumprem a função social, como determina a Constituição de 1988.
A Constituição Federal estabelece que devem ser desapropriadas propriedades que estão abaixo da produtividade, não respeitam o ambiente, não respeitam os direitos trabalhistas e são usadas para contrabando ou cultivo de drogas.
3. Também ocupamos as fazendas que têm origem na grilagem de terras públicas, como acontece, por exemplo, no Pontal do Paranapanema e em Iaras (empresa Cutrale), no Pará (Banco Opportunity) e no sul da Bahia (Veracel/Stora Enso). São áreas que pertencem à União e estão indevidamente apropriadas por grandes empresas, enquanto se alega que há falta de terras para assentar trabalhadores rurais sem terras.
4. Os inimigos da Reforma Agrária querem transformar os episódios que aconteceram na fazenda grilada pela Cutrale para criminalizar o MST, os movimentos sociais, impedir a Reforma Agrária e proteger os interesses do agronegócio e dos que controlam a terra.
5. Somos contra a violência. Sabemos que a violência é a arma utilizada sempre pelos opressores para manter seus privilégios. E, principalmente, temos o maior respeito às famílias dos trabalhadores das grandes fazendas quando fazemos as ocupações. Os trabalhadores rurais são vítimas da violência. Nos últimos anos, já foram assassinados mais de 1,6 mil companheiros e companheiras, e apenas 80 assassinos e mandantes chegaram aos tribunais. São raros aqueles que tiveram alguma punição, reinando a impunidade, como no caso do Massacre de Eldorado de Carajás.
6. As famílias acampadas recorreram à ação na Cutrale como última alternativa para chamar a atenção da sociedade para o absurdo fato de que umas das maiores empresas da agricultura - que controla 30% de todo suco de laranja no mundo - se dedique a grilar terras. Já havíamos ocupado a área diversas vezes nos últimos 10 anos, e a população não tinha conhecimento desse crime cometido pela Cutrale.
7. Nós lamentamos muito quando acontecem desvios de conduta em ocupações, que não representam a linha do movimento. Em geral, eles têm acontecido por causa da infiltração dos inimigos da Reforma Agrária, seja dos latifundiários ou da policia.
8. Os companheiros e companheiras do MST de São Paulo reafirmam que não houve depredação nem furto por parte das famílias que ocuparam a fazenda da Cutrale. Quando as famílias saíram da fazenda, não havia ambiente de depredações, como foi apresentado na mídia. Representantes das famílias que fizeram a ocupação foram impedidos de acompanhar a entrada dos funcionários da fazenda e da PM, após a saída da área. O que aconteceu desde a saída das famílias e a entrada da imprensa na fazenda deve ser investigado.
9. Há uma clara articulação entre os latifundiários, setores conservadores do Poder Judiciário, serviços de inteligência, parlamentares ruralistas e setores reacionários da imprensa brasileira para atacar o MST e a Reforma Agrária. Não admitem o direito dos pobres se organizarem e lutarem.
Em períodos eleitorais, essas articulações ganham mais força política, como parte das táticas da direita para impedir as ações do governo a favor da Reforma Agrária e "enquadrar" as candidaturas dentro dos seus interesses de classe.
10. O MST luta há mais de 25 anos pela implantação de uma Reforma Agrária popular e verdadeira. Obtivemos muitas vitórias: mais de 500 mil famílias de trabalhadores pobres do campo foram assentados. Estamos acostumados a enfrentar as manipulações dos latifundiários e de seus representantes na imprensa.
À sociedade, pedimos que não nos julgue pela versão apresentada pela mídia. No Brasil, há um histórico de ruptura com a verdade e com a ética pela grande mídia, para manipular os fatos, prejudicar os trabalhadores e suas lutas e defender os interesses dos poderosos.
Apesar de todas as dificuldades, de nossos erros e acertos e, principalmente, das artimanhas da burguesia, a sociedade brasileira sabe que sem a Reforma Agrária será impossível corrigir as injustiças sociais e as desigualdades no campo. De nossa parte, temos o compromisso de seguir organizando os pobres do campo e fazendo mobilizações e lutas pela realização dos direitos do povo à terra, educação e dignidade.
São Paulo, 9 de outubro de 2009
DIREÇÃO NACIONAL DO MST
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Carta de Esclarecimento sobre o posicionamento do MAB a respeito da UHE Belo Monte
Brasil, 07 de outubro de 2009.
Carta de Esclarecimento sobre o posicionamento do MAB a respeito da UHE Belo Monte
O MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens) vem a público reafirmar nossa posição contra a construção da Hidrelétrica de Belo Monte, e de outras tantas barragens previstas para a região, bem como ratificar nosso apoio aos povos indígenas, lideranças e movimentos sociais que há anos fazem a luta contra esse projeto. Denunciamos a ofensiva da direita, de empresários, de latifundiários, da mídia, e da estrutura do Estado, que estão espalhando boatos infundados sobre a organização dos atingidos por barragens, tentando nos colocar contra o povo. O MAB já tem 25 anos de uma história de luta e organização na região amazônica.
Historicamente a construção de barragens no Brasil tem causado inúmeros impactos sociais e ambientais à população e ao meio ambiente. Segundo estudos, já se construíram mais de 2 mil barragens no Brasil, expulsando mais de 1 milhão de pessoas de suas terras, e alagando mais de 3,4 milhões de hectares de terras férteis. Outras 1.400 barragens devem ser construídas até 2.030, mais de 300 delas em solo amazônico.
Essas barragens mostram que a energia gerada serve para atender as grandes indústrias multinacionais instaladas aqui, como a Alcoa e a Vale, que pagam 10 vezes a menos de tarifa que o povo brasileiro. A produção final destas indústrias é exportada aos países centrais, a custos baixíssimos, inclusive com isenção de impostos. Ou seja: todos os planos de novas hidrelétricas, de mineradoras e de celulose estão minuciosamente articulados a serviço da acumulação imperialista. Além disso, estas obras são financiadas com dinheiro público do BNDES, chegando a mais de 70% do investimento.
Por isso queremos reafirmar que:
1- O projeto de construção da UHE Belo Monte está pensado na lógica do atual modelo energético, e, portanto, é anti-povo. Combatê-las, deve ser um compromisso de todo povo, do campo e da cidade. O Movimento dos Atingidos por Barragens é contra a construção de Belo Monte e de qualquer hidrelétrica no atual modelo de sociedade.
2- As riquezas naturais são do povo e devem estar a serviço do povo. A luta da energia e a luta em torno dos projetos minerais, de projetos de celulose, enfim de todos os grandes projetos, devem ser entendidas como lutas por soberania.
3- Vamos lutar contra a construção dessa obra, contra a privatização de nossos rios e exigir um plano de desenvolvimento pautado no respeito ao meio ambiente e a população da região.
4- Vamos continuar exigindo as dívidas sociais e ambientais deixadas pelas empresas do setor elétrico e pelo Estado brasileiro em todos estes anos de construção, como forma de minimizar os impactos deixados. O que não significa que aceitamos a política energética imposta. Pelo contrário, vamos continuar denunciando todas as formas de ameaças, cooptação, violência, para com as populações atingidas.
Por fim, estamos empenhados na construção de um outro projeto de desenvolvimento, baseado no respeito aos povos tradicionais, e a população como um todo, sua cultura, sua identidade, nos seus costumes, no respeito à natureza, e na socialização das riquezas produzidas, a fim de construirmos uma sociedade mais humana e mais justa a todos e todas.
“Água e Energia não são mercadorias
Água e Energia são Pra Soberania”.
Coordenação Nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens
Carta de Esclarecimento sobre o posicionamento do MAB a respeito da UHE Belo Monte
O MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens) vem a público reafirmar nossa posição contra a construção da Hidrelétrica de Belo Monte, e de outras tantas barragens previstas para a região, bem como ratificar nosso apoio aos povos indígenas, lideranças e movimentos sociais que há anos fazem a luta contra esse projeto. Denunciamos a ofensiva da direita, de empresários, de latifundiários, da mídia, e da estrutura do Estado, que estão espalhando boatos infundados sobre a organização dos atingidos por barragens, tentando nos colocar contra o povo. O MAB já tem 25 anos de uma história de luta e organização na região amazônica.
Historicamente a construção de barragens no Brasil tem causado inúmeros impactos sociais e ambientais à população e ao meio ambiente. Segundo estudos, já se construíram mais de 2 mil barragens no Brasil, expulsando mais de 1 milhão de pessoas de suas terras, e alagando mais de 3,4 milhões de hectares de terras férteis. Outras 1.400 barragens devem ser construídas até 2.030, mais de 300 delas em solo amazônico.
Essas barragens mostram que a energia gerada serve para atender as grandes indústrias multinacionais instaladas aqui, como a Alcoa e a Vale, que pagam 10 vezes a menos de tarifa que o povo brasileiro. A produção final destas indústrias é exportada aos países centrais, a custos baixíssimos, inclusive com isenção de impostos. Ou seja: todos os planos de novas hidrelétricas, de mineradoras e de celulose estão minuciosamente articulados a serviço da acumulação imperialista. Além disso, estas obras são financiadas com dinheiro público do BNDES, chegando a mais de 70% do investimento.
Por isso queremos reafirmar que:
1- O projeto de construção da UHE Belo Monte está pensado na lógica do atual modelo energético, e, portanto, é anti-povo. Combatê-las, deve ser um compromisso de todo povo, do campo e da cidade. O Movimento dos Atingidos por Barragens é contra a construção de Belo Monte e de qualquer hidrelétrica no atual modelo de sociedade.
2- As riquezas naturais são do povo e devem estar a serviço do povo. A luta da energia e a luta em torno dos projetos minerais, de projetos de celulose, enfim de todos os grandes projetos, devem ser entendidas como lutas por soberania.
3- Vamos lutar contra a construção dessa obra, contra a privatização de nossos rios e exigir um plano de desenvolvimento pautado no respeito ao meio ambiente e a população da região.
4- Vamos continuar exigindo as dívidas sociais e ambientais deixadas pelas empresas do setor elétrico e pelo Estado brasileiro em todos estes anos de construção, como forma de minimizar os impactos deixados. O que não significa que aceitamos a política energética imposta. Pelo contrário, vamos continuar denunciando todas as formas de ameaças, cooptação, violência, para com as populações atingidas.
Por fim, estamos empenhados na construção de um outro projeto de desenvolvimento, baseado no respeito aos povos tradicionais, e a população como um todo, sua cultura, sua identidade, nos seus costumes, no respeito à natureza, e na socialização das riquezas produzidas, a fim de construirmos uma sociedade mais humana e mais justa a todos e todas.
“Água e Energia não são mercadorias
Água e Energia são Pra Soberania”.
Coordenação Nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens
Alegria, música e denucias marcam abertura da Conferência
A abertura da I Conferência Nacional da Pesca Artesanal foi marcada pela alegria das apresentações das caravanas. Os representantes do Piauí, Pará, Ceará, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Rio Grande do Norte, Paraná, Rio de Janeiro e Amapá, em meio às cantorias e verdadeiras histórias de pescador, apresentaram símbolos que lembram a atividade pesqueira nos estados.
“Essa é oportunidade de dizer ao governo do que precisamos. Dizer que agente existe e precisa não de migalha, mas de uma parcela justa”, disse Paulo César, pescador e quilombola da Bahia.
Após as apresentações, foi formada a mesa de abertura da Conferência. Composta por seis lideranças de pescadores artesanais, das cinco regiões do país, pelo professor Angelo Brás Callou, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), e por Marina dos Santos, da Coordenação Nacional do MST, representando a Via Campesina. “Nós pescadores e camponeses temos o mesmo inimigo nesse modelo de desenvolvimento que privilegia e dá melhores condições para o agro e hidronegócio”, afirmou Marina.
“Eu tenho certeza que estão muito felizes aqueles companheiros que há mais de vinte anos começaram a lutar pelos nossos problemas”, afirmou José Roberto, da coordenação do Movimento Nacional dos Pescadores (Monape).
Os membros da mesa focaram seus discursos na importância de elucidar e discutir os atuais problemas enfrentados pelos trabalhadores do setor artesanal. Foram levantadas questões relacionadas ao meio ambiente, políticas públicas, assuntos previdenciários e culturais. Maria das Neves, pescadora do município de Lagoa do Carro (PE), e uma das representantes da Articulação Nacional das Pescadoras (ANP), ressaltou a alegria em participar pela primeira vez de uma “plenária onde a maioria das pessoas presentes são pescadores e pessoas realmente preocupadas em dar voz aos trabalhadores artesanais”.
Agricultores indianos em guerra com a Coca-Cola
Agricultores indianos em guerra com a Coca-Cola
8 de outubro de 2009
Em meio à pior seca da Índia em quatro décadas, agrava-se uma disputa pelos recursos hídricos entre os agricultores de Kala Dera, no Estado de Rajastão, e na engarrafadora local da Coca-Cola. Os agricultores e ativistas de Kala Dera que pedem o fechamento da unidade da transnacional afirmam que se não conseguirem fechá-la este ano, tão açoitado pela seca, provavelmente nunca o farão. Kala Dera fica a 40 quilômetros de Jaipur, capital do árido Estado de Rajastão, que tem entre suas principais atrações o deserto de Thar, considerado o sétimo maior do mundo e o terceiro da Ásia.
“As pessoas que administram a fábrica da Coca-Cola são muito influentes e contam com o apoio de políticos do governante Partido do Congresso e do opositor Partido Bharatiya Janada”, disse o ativista e agricultor Rameshwar Prasad Kudi à IPS por telefone desde Kala Dera. “Mas nós temos o povo do nosso lado e continuaremos pressionando para que a fábrica seja fechada”, acrescentou. Kudi, integrante da organização local Kala Dera Sangharsh Samiti, disse que foram violadas várias regras e normas quando da autorização para instalar uma engarrafadora de bebidas em uma área com tradicional escassez de água. E o “obsceno” da coisa é que continua funcionando como de costume em meio a uma severa seca.
Estimativas divulgadas no final de setembro pelo Departamento Meteorológico Indiano, as secas deste ano podem ser piores do que as de 1972, devido à fraca temporada de vento das monções, que entre junho e setembro proporcionam chuvas vitais para 60% da agricultura do país. O Departamento prevê que a região noroeste seja a mais prejudicada pela seca. As escassas chuvas de monções no começo da temporada já afetaram a produção anual de arroz e outros importantes cultivos comerciais, com cana-de-açúcar e amendoim. A água está esgotada nas principais reservas do país, ameaçando a irrigação necessária para manter os cultivos de inverno.
Os especialistas culpam a mudança climática pela falta de água. Inundações graves, secas e tempestades são outros males causados por este fenômeno ambiental no mundo. Kudi disse que os depósitos hídricos esgotados de Kala Dera fazem com que ele e outros produtores não possam retirar água para salvar suas culturas de inverno. Também acusou a Coca-Cola de reduzir ainda mais a água subterrânea com operações de extração que a empresa desmente.
“Usamos menos de 1% da água disponível em Kala Dera, e continuamente buscamos reduzir e reciclar a água usada para nossas atividades de engarrafamento”, disse Kamlesh Sharma, gerente de Relações Públicas e Comunicações da Coca-Cola. Segundo Sharma, a empresa realiza ações para recarregar os lençóis freáticos com recarga hídrica dentro e fora de suas 56 fábricas indianas. “Em Kala Dera criamos o potencial de recarregar o solo com 15 vezes mais água do que usamos em nossa fabrica. Inclusive, com menos chuva do que o normal, estas estruturas podem recarregar muito mais água do que a retirada para o engarrafamento”, afirmou.
Perguntado o motivo de a empresa ter escolhido instalar-se em uma área conhecida pelas secas, Sharma respondeu que a companhia apenas atendia a um plano do governo para transformar Kala Dera, uma esquecida área rural que dependia unicamente da agricultura, em um moderno centro industrial. “Cremos que podemos contribuir positivamente com a água em Kala Dara”, afirmou Sharma, citando dados do governo de Rajastão segundo os quais a queda natural da camada de água nos últimos 10 anos foi menor em Kala Dara (1,83 metro) do que nas áreas vizinhas (2,39 na aldeia de Chomu, 2,28m em Jaipur e 2,43m em Tigariya).
A Coca-Cola afirma que isto é resultado da “administração hídrica” por parte de uma companhia responsável com a perícia no assunto. Para Sharma, é completamente injusto culpar a empresa pela escassez hídrica em Kala Dera, quando a agricultura é a atividade que mais consome água. “Os esforços de conservação devem incluir passos para que os agricultores usem a água de modo eficiente. O que se necessita é uma completa mudança de mentalidade, que não desperdice água com a irrigação tradicional e que aceitem métodos agrícolas como a irrigação por gotejamento”, afirmou.
A Coca-Cola está preparada para ajudar os produtores a fazer essa transição. “No ano passado entramos em uma associação público-privada com a agência governamental Krishi Vigyan Kendra (um serviço de extensão agrícola), para dar assistência aos produtores e implementar projetos de irrigação em Kala Dera”, disse Sharma. “Até agora implementamos 27 projetos de irrigação por gotejamento e planejamos instalar mais 200 nos próximos meses”, acrescentou. O método de gotejamento permite que a água vá diretamente para as raízes, o que minimiza a quantidade de liquido e também de fertilizante.
Porém, os agricultores têm uma postura diferente. Mahesh Yogi, por exemplo, disse à IPS que apesar de a Coca-Cola subsidiar a irrigação por gotejamento o programa é caro e insustentável, devido aos equipamentos que exige, os quais, por sua vez, necessitam de manutenção. “Em Kala Dera há 25 mil agricultores, e simplesmente não é possível cobrir uma quantidade significativa em um breve período. O que faremos nesse ínterim? E quem se preocupará com a futura manutenção?”, perguntou. Yogi acredita que os beneficiários da irrigação por gotejamento foram um punhado de pessoas endinheiradas e influentes que apóiam as atividades da Coca-Cola.
Entretanto, a situação hídrica ficou tão ruim este ano que mesmo as indústrias locais, particularmente as reunidas na Associação da Área Industrial de Kala Dara, uniram-se à campanha contra a Coca-Cola. As reclamações de Kudi e Yogi estão apoiadas pelo informe de um estudo do prestigioso Instituto de Pesquisas Ambientais de Nova Déli, divulgado no ano passado. Essa pesquisa mostra que as operações da Coca-Cola em Kara Dera “continuarão entre as que contribuem para uma pior situação hídrica e são fonte de tensão para as comunidades aldeãs”.
As recomendações do Instituto propõem que a transnacional mude sua fábrica para uma área onde haja água em abundancia ou transporte água até a engarrafadora desde um aquífero, em lugar de recorrer à extração local. O informe foi incentivado por uma campanha internacional liderada por estudantes dos Estados Unidos, do Canadá e da Grã-Bretanha, que incluiu 20 faculdades e universidades, exigindo o fim dos produtos da transnacional em seus campi, por contribuírem para a escassez hídrica e contaminar as áreas onde opera na Índia.
Curiosamente, ativistas contra a Coca-Cola inicialmente se opuseram a escolher o Instituto de Pesquisas Ambientais como “avaliador independente”, porque no passado havia trabalhado com essa companhia e inclusive a apontara como uma das empresas mais responsáveis da Índia em 2001.
Fonte: IPS/Envolverde
8 de outubro de 2009
Em meio à pior seca da Índia em quatro décadas, agrava-se uma disputa pelos recursos hídricos entre os agricultores de Kala Dera, no Estado de Rajastão, e na engarrafadora local da Coca-Cola. Os agricultores e ativistas de Kala Dera que pedem o fechamento da unidade da transnacional afirmam que se não conseguirem fechá-la este ano, tão açoitado pela seca, provavelmente nunca o farão. Kala Dera fica a 40 quilômetros de Jaipur, capital do árido Estado de Rajastão, que tem entre suas principais atrações o deserto de Thar, considerado o sétimo maior do mundo e o terceiro da Ásia.
“As pessoas que administram a fábrica da Coca-Cola são muito influentes e contam com o apoio de políticos do governante Partido do Congresso e do opositor Partido Bharatiya Janada”, disse o ativista e agricultor Rameshwar Prasad Kudi à IPS por telefone desde Kala Dera. “Mas nós temos o povo do nosso lado e continuaremos pressionando para que a fábrica seja fechada”, acrescentou. Kudi, integrante da organização local Kala Dera Sangharsh Samiti, disse que foram violadas várias regras e normas quando da autorização para instalar uma engarrafadora de bebidas em uma área com tradicional escassez de água. E o “obsceno” da coisa é que continua funcionando como de costume em meio a uma severa seca.
Estimativas divulgadas no final de setembro pelo Departamento Meteorológico Indiano, as secas deste ano podem ser piores do que as de 1972, devido à fraca temporada de vento das monções, que entre junho e setembro proporcionam chuvas vitais para 60% da agricultura do país. O Departamento prevê que a região noroeste seja a mais prejudicada pela seca. As escassas chuvas de monções no começo da temporada já afetaram a produção anual de arroz e outros importantes cultivos comerciais, com cana-de-açúcar e amendoim. A água está esgotada nas principais reservas do país, ameaçando a irrigação necessária para manter os cultivos de inverno.
Os especialistas culpam a mudança climática pela falta de água. Inundações graves, secas e tempestades são outros males causados por este fenômeno ambiental no mundo. Kudi disse que os depósitos hídricos esgotados de Kala Dera fazem com que ele e outros produtores não possam retirar água para salvar suas culturas de inverno. Também acusou a Coca-Cola de reduzir ainda mais a água subterrânea com operações de extração que a empresa desmente.
“Usamos menos de 1% da água disponível em Kala Dera, e continuamente buscamos reduzir e reciclar a água usada para nossas atividades de engarrafamento”, disse Kamlesh Sharma, gerente de Relações Públicas e Comunicações da Coca-Cola. Segundo Sharma, a empresa realiza ações para recarregar os lençóis freáticos com recarga hídrica dentro e fora de suas 56 fábricas indianas. “Em Kala Dera criamos o potencial de recarregar o solo com 15 vezes mais água do que usamos em nossa fabrica. Inclusive, com menos chuva do que o normal, estas estruturas podem recarregar muito mais água do que a retirada para o engarrafamento”, afirmou.
Perguntado o motivo de a empresa ter escolhido instalar-se em uma área conhecida pelas secas, Sharma respondeu que a companhia apenas atendia a um plano do governo para transformar Kala Dera, uma esquecida área rural que dependia unicamente da agricultura, em um moderno centro industrial. “Cremos que podemos contribuir positivamente com a água em Kala Dara”, afirmou Sharma, citando dados do governo de Rajastão segundo os quais a queda natural da camada de água nos últimos 10 anos foi menor em Kala Dara (1,83 metro) do que nas áreas vizinhas (2,39 na aldeia de Chomu, 2,28m em Jaipur e 2,43m em Tigariya).
A Coca-Cola afirma que isto é resultado da “administração hídrica” por parte de uma companhia responsável com a perícia no assunto. Para Sharma, é completamente injusto culpar a empresa pela escassez hídrica em Kala Dera, quando a agricultura é a atividade que mais consome água. “Os esforços de conservação devem incluir passos para que os agricultores usem a água de modo eficiente. O que se necessita é uma completa mudança de mentalidade, que não desperdice água com a irrigação tradicional e que aceitem métodos agrícolas como a irrigação por gotejamento”, afirmou.
A Coca-Cola está preparada para ajudar os produtores a fazer essa transição. “No ano passado entramos em uma associação público-privada com a agência governamental Krishi Vigyan Kendra (um serviço de extensão agrícola), para dar assistência aos produtores e implementar projetos de irrigação em Kala Dera”, disse Sharma. “Até agora implementamos 27 projetos de irrigação por gotejamento e planejamos instalar mais 200 nos próximos meses”, acrescentou. O método de gotejamento permite que a água vá diretamente para as raízes, o que minimiza a quantidade de liquido e também de fertilizante.
Porém, os agricultores têm uma postura diferente. Mahesh Yogi, por exemplo, disse à IPS que apesar de a Coca-Cola subsidiar a irrigação por gotejamento o programa é caro e insustentável, devido aos equipamentos que exige, os quais, por sua vez, necessitam de manutenção. “Em Kala Dera há 25 mil agricultores, e simplesmente não é possível cobrir uma quantidade significativa em um breve período. O que faremos nesse ínterim? E quem se preocupará com a futura manutenção?”, perguntou. Yogi acredita que os beneficiários da irrigação por gotejamento foram um punhado de pessoas endinheiradas e influentes que apóiam as atividades da Coca-Cola.
Entretanto, a situação hídrica ficou tão ruim este ano que mesmo as indústrias locais, particularmente as reunidas na Associação da Área Industrial de Kala Dara, uniram-se à campanha contra a Coca-Cola. As reclamações de Kudi e Yogi estão apoiadas pelo informe de um estudo do prestigioso Instituto de Pesquisas Ambientais de Nova Déli, divulgado no ano passado. Essa pesquisa mostra que as operações da Coca-Cola em Kara Dera “continuarão entre as que contribuem para uma pior situação hídrica e são fonte de tensão para as comunidades aldeãs”.
As recomendações do Instituto propõem que a transnacional mude sua fábrica para uma área onde haja água em abundancia ou transporte água até a engarrafadora desde um aquífero, em lugar de recorrer à extração local. O informe foi incentivado por uma campanha internacional liderada por estudantes dos Estados Unidos, do Canadá e da Grã-Bretanha, que incluiu 20 faculdades e universidades, exigindo o fim dos produtos da transnacional em seus campi, por contribuírem para a escassez hídrica e contaminar as áreas onde opera na Índia.
Curiosamente, ativistas contra a Coca-Cola inicialmente se opuseram a escolher o Instituto de Pesquisas Ambientais como “avaliador independente”, porque no passado havia trabalhado com essa companhia e inclusive a apontara como uma das empresas mais responsáveis da Índia em 2001.
Fonte: IPS/Envolverde
O LEGADO DE CHE GUEVARA

O legado de Che
8 de outubro de 2009
Por João Pedro Stedile*
Em 8 de outubro cumpre-se o aniversário do assassinato de Che Guevara pelo exército boliviano. Após sua prisão, em 8 de outubro de 1967, foi executado friamente, por ordens da CIA. Seria ''muito perigoso'' mantê-lo vivo, pois poderia gerar ainda mais revoltas populares em todo o continente.
Decididamente, a contribuição de Che, por suas idéias e exemplo, não se resume a teses de estratégias militares ou de tomada de poder político. Nem devemos vê-lo como um super-homem que defendia todos os injustiçados e tampouco exorcizá-lo, reduzindo-o a um mito.
Analisando sua obra falada, escrita e vivida, podemos identificar em toda a trajetória um profundo humanismo. O ser humano era o centro de todas as suas preocupações. Isso pode-se ver no jovem Che, retratado de forma brilhante por Walter Salles no filme Diários de Motocicleta, até seus últimos dias nas montanhas da Bolívia, com o cuidado que tinha com seus companheiros de guerrilha.
A indignação contra qualquer injustiça social, em qualquer parte do mundo, escreveu ele a uma parente distante, seria o que mais o motivava a lutar. O espírito de sacrifício, não medindo esforços em quaisquer circunstâncias, não se resumiu às ações militares, mas também e sobretudo no exemplo prático. Mesmo como ministro de Estado, dirigente da Revolução Cubana, fazia trabalho solidário na construção de moradias populares, no corte da cana, como um cidadão comum.
Che praticou como ninguém a máxima de ser o primeiro no trabalho e o último no lazer. Defendia com suas teses e prática o princípio de que os problemas do povo somente se resolveriam se todo o povo se envolvesse, com trabalho e dedicação. Ou seja, uma revolução social se caracterizava fundamentalmente pelo fato de o povo assumir seu próprio destino, participar de todas as decisões políticas da sociedade.
Sempre defendeu a integração completa dos dirigentes com a população. Evitando populismos demagógicos. E assim mesclava a força das massas organizadas com o papel dos dirigentes, dos militantes, praticando aquilo que Gramsci já havia discorrido como a função do intelectual orgânico coletivo.
Teve uma vida simples e despojada. Nunca se apegou a bens materiais. Denunciava o fetiche do consumismo, defendia com ardor a necessidade de elevar permanentemente o nível de conhecimento e de cultura de todo o povo. Por isso, Cuba foi o primeiro país a eliminar o analfabetismo e, na América Latina, a alcançar o maior índice de ensino superior. O conhecimento e a cultura eram para ele os principais valores e bens a serem cultivados. Daí também, dentro do processo revolucionário cubano, era quem mais ajudava a organizar a formação de militantes e quadros. Uma formação não apenas baseada em cursinhos de teoria clássica, mas mesclando sempre a teoria com a necessária prática cotidiana.
Acreditar no Che, reverenciar o Che hoje é acima de tudo cultivar esses valores da prática revolucionária que ele nos deixou como legado.
A burguesia queria matar o Che. Levou seu corpo, mas imortalizou seu exemplo. Che vive! Viva o Che!
* Integrante da coordenação nacional do MST e da Via Campesina.
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