sexta-feira, 8 de outubro de 2010

CHE GUEVRA VIVE

"Nascido em 14 de junho de 1928 na cidade de Rosário, Guevara foi o primeiro dos cincos filhos do casal Ernesto Lynch e Celia de la Serna y Llosa. Sua mãe foi a principal responsável por sua formação porque, mesmo sendo católica, mantinha em casa um ambiente de esquerda e sempre estava cercada por mulheres politizadas. Desde pequeno, Ernestito - como era chamado - sofria ataques de asma e por essa razão, aos 12 anos, se mudou com a família para as serras de Córdoba, onde morou perto de uma favela. A discriminação para com os mais pobres era comum à classe média argentina, porém Che não se importava e fez várias amizades com os favelados. Estudou grande parte do ensino fundamental em casa com sua mãe. Na biblioteca de sua casa - que reunia cerca de 3000 livros - havia obras de Marx, Engels e Lenin, com os quais se familiarizou em sua adolescência.

Em 1947, Ernesto entra na Faculdade de Medicina da Universidade de Buenos Aires, motivado em primeiro lugar por sua própria doença, desenvolvendo logo um especial interesse pela lepra. Em 1952, realiza uma longa jornada pela América do Sul com o melhor amigo, Alberto Granado, percorrendo 10.000 km em uma moto Norton 500, apelidada de 'La Poderosa'. Observam, se interessam por tudo, analisam a realidade com olho crítico e pensamento profundo. Os oito meses dessa viagem marcam a ruptura de Guevara com os laços nacionalistas e dela se origina um diário. Aliás, escrever diários torna-se um hábito para o argentino, cultivado até a sua morte. No Peru, trabalhou com leprosos e resolveu se tornar um especialista no tratamento da doença.

Che saiu dessa viagem chocado com a pobreza e a injustiça social que encontrou ao longo do caminho e se identificou com a luta dos camponeses por uma vida melhor. Mais tarde voltou à Argentina onde completou seus estudos em medicina. Foi convocado para o exército, porém, no momento estava incompatibilizado com a ideologia peronista. Não admitia ter de defender um governo autoritário. Portanto, no dia da inspeção médica, tomou um banho gelado antes de sair de casa e na hora do exame teve um ataque de asma. Foi considerado inapto e dispensado.

Já envolvido com a política, em 1953 viajou para a Bolívia e depois seguiu para Guatemala com seu novo amigo Ricardo Rojo. Foi lá que Guevara conheceu sua futura esposa, a peruana Hilda Gadea Acosta e Ñico Lopez, que, futuramente, o apresentaria a Raúl Castro no México. Na Guatemala, Arbenz Guzmán, o presidente esquerdista moderado, comandava uma ousada reforma agrária. Porém, os EUA, descontentes com tal ato que tiraria terras improdutivas de suas empresas concedendo-as aos famintos camponeses, planejou um golpe bem sucedido colocando no governo uma ditadura militar manipulada pelos yankees. Che ficou inconformado com a facilidade norte-americana de dominar o país e com a apatia dos guatemaltecos. A partir desse momento, se convenceu da necessidade de tomar a iniciativa contra o cruel imperialismo. Com o clima tenso na Guatemala e perseguido pela ditadura, Che foi para o México.

Alguns relatos dizem que corria risco de vida no território guatemalteco, mas essa ida ao México já estava planejada. Lá lecionava em uma universidade e trabalhava no Hospital Geral da Cidade do México, onde reencontrou Ñico Lopez, que o levou para conhecer Raúl Castro. Raúl, que se encontrava refugiado no México após a fracassada revolução em Cuba em 1953, se tornou rapidamente amigo de Che. Depois, Raúl apresentou Che a seu irmão mais velho Fidel que, do mesmo modo, tornou-se amigo instantaneamente. Tiveram a famosa conversa de uma noite inteira onde debateram sobre política mundial e, ao final, estava acertada a participação de Che no grupo revolucionário que tentaria tomar o poder em Cuba.

A partir desse momento começaram a treinar táticas de guerrilha e operações de fuga e ataque. Em 25 de novembro de 1956 os revolucionários desembarcam em Cuba e se refugiam na Sierra Maestra, de onde comandam o exército rebelde na bem-sucedida guerrilha que derrubou o governo de Fulgêncio Batista.

Depois da vitória, em 1959, Che torna-se cidadão cubano e vira o segundo homem mais poderoso de Cuba. Marxista-leninista convicto, é apontado por especialistas como o responsável pela adesão de Fidel ao bloco soviético e pelo confronto do novo governo com os Estados Unidos. Guevara queria levar o comunismo a toda a América Latina e acreditava apaixonadamente na necessidade do apoio cubano aos movimentos guerrilheiros da região e também da África.
Da revolução em Cuba até sua morte, amargou três mal-sucedidas expedições guerrilheiras. A primeira na Argentina, em 1964, quando seu grupo foi descoberto e a maioria morta ou capturada. A segunda, um ano depois de fugir da Argentina, no antigo Congo Belga, mais tarde Zaire e atualmente República Democrática do Congo. E por fim na Bolívia, onde acabaria executado. Sem a barba e a boina tradicionais, disfarçado de economista uruguaio, Che Guevara entrou na Bolívia em novembro de 1966. A ele se juntaram 50 guerrilheiros cubanos, bolivianos, argentinos e peruanos, numa base num deserto do Sudeste do país.

Seu plano era treinar guerrilheiros de vários países para começar uma revolução continental. Guevara foi capturado em 8 de outubro de 1967. Passou a noite numa escola de La Higuera, a 50 quilômetros de Vallegrande, e, no dia seguinte, por ordem do presidente da Bolívia, general René Barrientos, foi executado com nove tiros numa escola na aldeia de La Higuera, no centro-sul da Bolívia, no dia seguinte à sua captura pelos rangers do Exército boliviano, treinados pelos Estados Unidos.

Sua morte, no dia 9 de outubro de 1967, aos 39 anos, interrompeu o sonho de estender a Revolução Cubana à América Latina, mas não impediu que seus ideais continuassem a gozar de popularidade entre as esquerdas. Os boatos que cercaram a execução de Che Guevara levantaram dúvidas sobre a identidade do guerrilheiro. A confusão culminou no desaparecimento dos seus restos mortais, encontrados apenas em 1997, quando o mundo recordava os trinta anos de sua morte, sob o terreno do aeroporto de Vallegrande. O corpo estava sem as mãos, amputadas para reconhecimento poucos dias depois da morte, e contrabandeadas para Cuba.

Em 17 de outubro de 1997, Che foi enterrado com pompas na cidade cubana de Santa Clara (onde liderou uma batalha decisiva para a derrubada de Batista), com a presença da família e de Fidel. Embora seus ideais sejam românticos aos olhos de um mundo globalizado, ele se transformou num ícone na história das revoluções do século XX e num exemplo de coerência política. Sua morte determinou o nascimento de um mito, até hoje símbolo de resistência para os países latino-americanos." Fonte:http://www.cheguevaradelaserna.hpgvip.ig.com.br/



A Fidel Castro
" Ano da Agricultura"
Havana
Fidel:
Recordo nesta hora de muitas coisas, de quando o conheci na casa de Maria Antonia, de quando você me propôs que viesse, de toda a tensão dos preparativos. Um dia perguntaram a quem se devia avisar em caso de morte e a possibilidade real do fato chocou a todos. Depois soubemos que estava correto, que em uma revolução se vence ou se morre (se é verdadeira). Muitos companheiros ficaram ao longo do caminho até a vitória. Hoje tudo tem um tom menos dramático porque estamos mais maduros, mas o fato se repete. Sinto que cumpri a parte de meu dever que me ligava à Revolução Cubana em seu território e me despeço de você, dos companheiros, de seu povo que já é meu. Renuncio formalmente a meus cargos na direção do partido, a meu cargo de ministro, a meu grau de comandante, a minha condição de cubano.

Nada legal me liga a Cuba, apenas laços de outro tipo, que não podem ser rompidos com as nomeações. Fazemos um balanço de minha vida passada, creio Ter trabalhado com suficiente honradez a dedicação para consolidar o triunfo revolucionário. Minha única falha de alguma gravidade foi não Ter confiado mais em você, desde os primeiros momentos de Sierra Maestria, e não Ter compreendido com suficiente rapidez suas qualidades de guia e revolucionário.

Vivi dias magníficos e senti ao seu lado orgulho de pertencer a nosso povo nos dias luminosos e triste da crise do Caribe. Poucas vezes brilhou mais alto um estadista que naqueles dias; me orgulho também de têlo seguido sem vacilações, indentificado com sua maneira de prensar; bem como de ver avaliar os perigos e os princípios. Outras terras do mundo reclamam o concurso de meus modestos esforços. Posso fazer o que lhe é negado por sua responsabilidade à frente de Cuba e chegou a hora de nos separarmos.

Saiba que o faço com misto de alegria e dor; aqui deixo a mais pura de minhas esperanças de guia e o mais querido entre meus seres queridos... e deixo um povo que me recebeu como um filho; isso lacera uma parte de meu espírito. Nos campos de batalha, levarei a fé que você me inculcou, o espirito revolucionário de meu povo; a sensação de cumprir com com o mais sagrado dos deveres: lutar contra o imperialismo onde quer que esteja; isso reconforta e cura qualquer ferida.

Digo uma vez mais que libero Cuba de qualquer responsabilidade, salvo a que emane de seu exemplo. Se chegar minha hora definitiva sob outros céus, meu último pensamento será para este povo e especialmente para você. Agradeço todos os seus ensinamentos e o seu exemplo, a que tratarei de ser fiel até as últimas conseqüências de meus atos. Quero dizer que sempre estive identificado com a política externa de nossa revolução e assim continuo. Onde quer que vá, sentirei a responsabilidade de ser revolucionário cubano e como tal atuarei. Não deixo para meus filhos e minha mulher nada material e não lamento: alegro-me que assim seja. Não peço nada para eles, pois o estado lhe dará o suficiente para viver e se educarem. Teria muitas coisas a dizer a você e ao nosso povo, mas sinto que são desnecessárias; as palavras não podem expressar o que eu gostaria e não valeria a pena rabiscar apressado qualquer coisa em um bloco.
Até a vitória sempre! Pátria ou morte!
Um abraço com todo fervo revolucionário. ...........................................................Che


"Acima de tudo procurem sentir no mais profundo de vocês qualquer injustiça cometida contra qualquer pessoa em qualquer parte do mundo. É a mais bela qualidade de um Revolucionário." Che Guevara
"O verdadeiro revolucionário é guiado por grandes sentimentos de generosidade; é impossível imaginar um revolucionário autêntico sem esta qualidade". Che Guevara

"Muitos me chamaram de aventureiro e o sou, só que de um tipo diferente: dos que entregam a pele para provar suas verdades." Che Guevara

"Se você é capaz de tremer de indignação a cada vez que se comete uma injustiça no mundo, então somos companheiros". Che Guevara
"Os poderosos podem matar uma, duas até três rosas, mas nunca deterão a primavera." Che Guevara

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

OS DESAFIOS DAS JUVENTUDES


OS DESAFIOS DAS JUVENTUDES
Roberta Traspadini 

O retrato da juventude brasileira evidencia além dos projetos de classe, as intenções manifestas por cada corrente tanto na concepção, quanto no que fazer apresentado a este grupo social pertencente à classe trabalhadora.
 Façamos um breve exercício de entender a situação concreta deste grupo na educação, para depois, imersos nos principais elementos reflexivos, pensarmos o inédito viável deste grupo.
1.Os dados sobre juventude e educação brasileira
 Segundo o documento de IPEA de 2008, Juventude e Políticas Sociais no Brasil, a população de 15 a 29 anos corresponde a 27,4% da população total. Existem 51 milhões de brasileiras(os) nesta faixa etária.
Com relação à educação tanto em termos de acesso quanto de permanência, os dados são alarmantes para se pensar o futuro da Nação.
 34% da população dos 15 aos 17 anos ainda não concluíram o ensino fundamental; apenas 12,7% dos jovens de 18 a 24 anos têm acesso ao curso superior.
 Além disto, 83% dos jovens de 25 a 29 anos e 66% de 15 a 17 anos deixaram de estudar. O número de idas e vindas aos bancos escolares também chamam a atenção: os que pararam somente 1 vez representam 61,6%; 2 vezes 20,1% e 3vezes ou mais 16,7%.
 Quase 70% destes jovens pensam ser possível retornar à escola, assim que as condições objetivas de sobrevivência o permitir.
Outro foco importante sobre a diversidade da juventude se refere à situação do jovem do campo e da cidade.
Enquanto nas cidades vivem 84,9% dos 51 milhões de jovens do País, no campo residem 15,1%.
Para o campo se amplia a precarização das condições de vida e os elementos como acesso, permanência e pertença jogam outros olhares sobre o debate do ser e sentir-se jovem.
 A questão agrária, a posse da terra, o crédito, a agricultura familiar, o campesinato como classe e o uso da tecnologia subordinada à concepção de terra e de humano, são alguns dos temas a serem debatidos por estes jovens no seu contexto de vida específico.
 O nível de escolaridade do jovem do campo é 50% inferior ao da cidade e o grau de analfabetismo chega a 9% nesta população.
 2.O debate teórico sobre o tema
 Em uma perspectiva crítica, falar em juventude é retomar ao menos 4 aspectos centrais que se entrelaçam.
 1.A juventude como protagonista da formação de consciência. Se por um lado, são fundados valores, memórias, representações a partir do ora vivido, por outro lado, são abertas perspectivas sobre como ler o que se vive, para além do que até então se tem.
2.A juventude como historicidade. Está referido ao movimento ininterrupto de refazer-se a partir daquilo com que se encontra e para além. A historicidade demarca o terreno da ação dos sujeitos a partir da correlação de forças manifesta no cotidiano. Vai além, quando o permite superar o vivido rumo a outro processo de vida a ser encarnado por ela.
 3.A juventude como ser social. Aqui o centro é a disputa na produção de símbolos, códigos, imagens, de uma juventude que é formada ou para reproduzir o que já está posto na engrenagem instituída pelo modo de dominação real, ou para, questionando-o, permitir verificar o que pode ser feito para superar dito modelo.
Este conceito põe em evidêcia o individualismo apregoado como única forma possível de produção de vida, na concorrência, frente as possibilidades de relações para além do processo mercantil.
4.A juventude como consciência sobre o sentido do trabalho. Neste tema, a juventude vive outras dimensões da tensão. Ou é tomada como uma mercadoria cujo preço é estipulado por quem paga, a partir da precarização intensiva de uma formação técnica para o trabalho subutilizado. Ou é tida como possibilidade de recomposição do sentido de trabalho a partir da realização e pertença do mesmo ao grupo ao qual pertence: os trabalhadores.
 3.A relação entre os dados e a teoria
 Com base nos dados e nos temas centrais da discussão sobre juventude podemos ver como esta categoria é complexa, heterogênea e diversificada, fazendo uma alusão à construção de Antunes sobre o sentido do trabalho.
Complexa pela relação direta entre educação e trabalho que vai promovendo a divisão social e internacional e alocando os jovens a partir do melhor uso pelo capital do saber acumulado e apreendido deste grupo.
 Jovens com carteira de trabalho e sem carteira de trabalho; jovens no trabalho informal legítimo e legal; jovens no trabalho informal ilegítimo e ilegal, entre outros.
Heterogênea pela forma e o conteúdo do ser jovem a partir do recorte étnico-racial, de gênero, de regiões e de nacionalidades.
Diversificada pela explícita diferença na concepção de cultura, do sentido do trabalho, do aspecto ético-moral e da religião. Diferenças que demarcam contextualizações distintas sobre o mesmo tema dentro deste grupo.
 4.A juventude e o inédito viável
 O mais viável é nos referirmos à unidade do diverso da juventude, ou seja, juventudes em movimento. O inédito neste viável é a intenção de vinculá-las na disputa pelo poder a partir da construção do sentido protagonista a ser dado a este grupo dentro de um projeto popular.
 As diferenças cedem espaço à diversidade em unidade e as experiências conformam um quadro comum neste mosaico de cores, flores, pedras, territórios específicos dentro de m modelo de desenvolvimento geral.
 O popular vira palco da territorialidade do poder, cujo protagonismo compartilhado vai, pouco a pouco, superando as classificações e criando um novo arranjo de sociedade em cujo poder popular dê unidade ao diverso, harmonize as particularidades no todo do projeto de classe, efetive a inclusão real deste grupo na tomada de decisão rumo à implementação da sociedade que se quer.

Roberta Traspadini é economista, educadora popular e integrante da Consulta Popular/ES.

OBRAS DA FIOL DESRESPEITAM COMUNIDADES DE BRUMADO

OBRAS DA FIOL DESRESPEITAM COMUNIDADES DE BRUMADO

Mal teve a execução iniciada, a FIOL – Ferrovia da Integração Oeste Leste, já vem provocando conflitos e ameaçando a vida de comunidades rurais no Município de Brumado, sudoeste baiano. A obra do governo federal que tem como responsável a empresa VALEC Engenharia, Construções e Ferrovias S.A. está em fase de levantamento topográfico. No trecho em que corta o município de Brumado, na região do Povoado de Ubiraçaba, às margens do Rio São João, as comunidades de Represo, Zé Gomes, Barreiro, Três Irmãos, Sussuarana e Alegria, vêm sendo assediadas por representantes da empresa Ecoplan Engenharia Ltda. contratada pela VALEC para efetuar o serviço de levantamento topográfico.
Moradores dessas comunidades alegam que estão sendo coagidos a assinarem um documento que dá autorização aos funcionários da referida empresa a entrarem em suas propriedades para fazerem o levantamento topográfico. Porém, tal documento, elaborado pela Valec não faz nenhuma menção quanto à responsabilidade da empresa com os eventuais danos causados. Foram relatados casos em que os moradores são pressionados psicologicamente e mesmo sem conhecerem o teor do documento acabam assinando sob a alegação dos funcionários da Ecoplan de que “assinando ou não o documento a ferrovia vai passar, pois é uma obra do governo”.
Apesar de apenas alguns moradores terem assinado o documento, a empresa, alegando a necessidade de adiantar o trabalho, entrou em várias propriedades sem a autorização dos proprietários, destruindo plantios de palmas e cortando a vegetação nativa, o que caracteriza crime de invasão de propriedade, além de danos materiais e ambientais. Frente a situação, a comunidade está se organizando para tomar medidas no sentido de coibir a ação da empresa, bem como exigir a punição legal da ECOPLAN pela violação dos direitos dos proprietários.
Em reunião realizada na comunidade de Represo no dia 07 de setembro com representantes das comunidades impactadas, agentes da Comissão Pastoral da Terra e lideranças do Movimento dos Pequenos Agricultores, foi possível perceber o total desconhecimento da população acerca do projeto de construção da FIOL. Para a maioria dos cerca de 80 moradores presentes na reunião, era a primeira vez que se ouvia falar sobre o projeto de construção da ferrovia.
“Em nenhum momento fomos informados ou consultados nem pelo governo, nem pela empresa e muito menos pela prefeitura sobre a obra. Agora estamos tendo nosso sossego tirado e nossas terras boas às margens do Rio São João, ameaçadas por este projeto” alega Arlindo Moreira, morador da Comunidade de Represo e militante do MPA.
A CPT juntamente com diversas entidades de defesa dos direitos humanos das populações tradicionais e do meio ambiente já vinha questionando o caráter das audiências públicas que discutiu o projeto da FIOL, tanto em Brumado quanto em Ilhéus, que tiveram como finalidade apenas legitimar, de forma tendenciosa, um projeto que gastará 6 bilhões de reais dos cofres públicos em que a população em geral não será beneficiária direta, já que o mesmo é exclusivamente destinado as empresas privadas.
Indagados sobre a audiência ocorrida na Câmara de vereadores de Brumado no dia 25 de fevereiro de 2010, os moradores alegam que nem sequer foram informados da realização da audiência e por isso não se mobilizaram para participarem. Isso comprova o descaso com a população quando se trata de interesses do grande capital aliado ao interesse de grupos políticos. Mais uma vez fica o questionamento quanto ao caráter da audiência realizada propositalmente em horário impróprio, dificultando a participação da população diretamente impactada, num clima de campanha política eleitoral, aplaudida por meia dúzia de políticos descomprometidos com o povo e cabos eleitorais contratados para ocuparem cargos na prefeitura, forçados a estarem presentes por medo de perderem o “emprego”. Sem dúvida, aqueles que aplaudiram o projeto da FIOL na audiência, bateram palmas também para a situação de desrespeito dos direitos das populações impactadas ao longo do trecho do projeto.

Estados do agronegócio dão maioria de votos a Serra

7 de outubro de 2010

Por Mauro Zanatta
Do Valor Econômico

Os eleitores de boa parte dos maiores "celeiros" do país votaram contra a candidata Dilma Rousseff (PT) no primeiro turno.
Domicílio de um eleitorado mais conservador, os pujantes interiores rurais de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Paraná e Santa Catarina foram mais sensíveis à mistura de política com temas religiosos, disseminada na internet e em rodas de conversa pelo país, optando pelo tucano José Serra.
A defesa de temas polêmicos como o direito ao aborto, feita por Dilma em uma sabatina de 2007, e a suposta menção da candidata ligando sua eleição a Jesus Cristo amplificaram a rejeição iniciada com o escândalo da quebra de sigilo fiscal de políticos tucanos por um petista.
A reprovação acabou cristalizada pelas denúncias de corrupção e nepotismo que derrubaram a então ministra Erenice Guerra da Casa Civil.
Esses cinco Estados do "cinturão agrícola" respondem por 30% do PIB rural do país. Quando somada a Goiás e Rio Grande do Sul, onde Dilma ganhou por uma margem inferior ao resultado nacional, essa fatia sobe a 46,5%. Se somados a São Paulo, cujo interior vocaliza uma forte restrição ao PT, seriam 62,6% do PIB rural a rejeitar Dilma Rousseff - a petista perdeu por 40,6% a 37,3% para Serra, uma diferença de 783 mil votos.
Aliados do governo apontam que faltou a Dilma Rousseff "realmente entender", por meio de ações, e não apenas com discursos, "questões vitais" como a garantia da segurança jurídica no campo.
Entre as principais preocupações, estão as alterações nas legislações ambiental, trabalhista, tributária, indígena e quilombola. Ameaças de alterações radicais nos critérios para a reforma agrária e a revisão de índices de produtividade no campo ainda tiram o sono do setor rural.
Nem mesmo a melhoria relativa da infraestrutura e da logística nos Estados do "cinturão agrícola", as três renegociações das dívidas rurais ou a agressiva política de subsídios nos oito anos de governo Lula foram suficientes para conter essa rejeição no campo.
"Ainda não entendi como esse conservadorismo cega o produtor. Tivemos tantos avanços com o Lula e, mesmo assim, não há reconhecimento", critica o ex-governador e senador eleito Blairo Maggi (PR-MT.
Uma das principais lideranças do setor, Maggi avalia que os amplos benefícios aos produtores não foram "transferidos" diretamente aos moradores dessas pequenas cidades. "Temos que ver que um benefício pretérito não conta. O que vale são as perspectivas futuras", avalia o analista político Antonio Augusto de Queiroz, do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap).
Mesmo com o reconhecimento de Maggi, em Rondonópolis, seu domicílio eleitoral, Dilma ganhou por apenas 8,7 mil votos em um universo de 106,7 mil eleitores. Em Matupá, terra do novo governador Silval Barbosa (PMDB), afilhado de Maggi, a candidata do PT perdeu de José Serra por 51,1% a 44,7%. "Vamos ter que reverter isso com muito trabalho e pé na estrada", admitiu o novo senador, que acompanhou Silval na reunião dos aliados com Dilma Rousseff.
Os analistas têm outras explicações para o voto contra Dilma. "Eles podem ter deixado para o segundo turno para barganhar como se fez em 2006", lembra Queiroz, do Diap. Naquela eleição, o presidente Lula perdeu para Geraldo Alckmin nos dois turnos. Mas a diferença caiu de 233 mil para apenas 8,8 mil votos. "A bancada ruralista virá maior em quantidade e qualidade. E essa perda dos ambientalistas pode ser compensada na negociação com Marina Silva para o segundo turno", avalia Queiroz.
O cientista político Edélcio Vigna corrobora a tese ao afirmar que os ruralistas terão menos poder em questões ideológicas importantes que serão debatidas no Congresso. "Dilma e Serra vão ter que fazer concessões aos ambientalistas em temas como Código Florestal, trabalho escravo, questões indígenas e trabalhistas", diz o analista do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc).

Juventude da CLOC repudia tentativa de golpe no Equador

7 de outubro de 2010

Da Comunicação Congresso da CLOC

Jovens integrantes de diversas organizações da Coordenadoria Latinoamericana de Organizações do Campo (CLOC), manifestaram suas reflexões e demandas no programa de televisão “Defendendo a Pachamama”, produzido pela Federação Nacional de Organizações Camponesas, Indígenas e Negras, (FENOCIN), do Equador.
No programa, foram entrevistados Omar Delgado, dirigente da Coordenadoria Nacional Camponesa (CNC), Delia Guaman, dirigente da FENOCIN, ambos do Equador e a dirigente da Associação de Trabalhadores do Campo (ATC), Zayra Ticay, da Nicarágua.
Os jovens se encontram em Quito, no Equador, participando dos preparativos do V Congresso da CLOC, que se realizará nesta cidade entre os dias 8 e 16 de outubro, e, neste contexto, manifestaram que todas as delegações provenientes da América Latina, declararam publicamente repúdio à tentativa de golpe que viveu este país na última quinta-feira, e seu total apoio ao processo equatoriano, liderado pelo presidente Rafael Correa.
A dirigente juvenil da Nicarágua, Zayra Ticay, ressaltou as importantes transformações que está vivendo seu país na recuperação dos direitos dos jovens, destacando que se tem garantido o acesso a uma educação gratuita para todos e todas.
Por sua vez, Delia Guaman, do Equador, esclareceu que o país também está avançando na superação dos temas de discriminação e exclusão. Esta, segundo ela, é uma tarefa de longa e difícil, pois supõe mudar pautas culturais que estão muito arraigadas na sociedade neoliberal em que estão inseridos, apesar disso seguem lutando desde suas respectivas organizações “para incidir com força e dignidade o combate contra a exclusão e a discriminação”.
Omar Delgado, dirigente da CNC no Equador, assinalou que a ingerência dos Estados Unidos nas políticas nacionais, representa para a juventude a perda de seus direitos e uma visível migração da juventude camponesa para a cidade, que se traduz em perda de identidade cultural e de suas tradições.
Para os jovens dirigentes camponeses e indígenas, o V Congresso da CLOC é um espaço importante de debate, oscilações e propostas de planos de trabalho para os anos seguintes. Afirmam, “somos o presente e construtores de um futuro melhor, temos uma proposta e não nos podem calar”.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Congresso de camponeses começa na sexta-feira em Quito 5 de outubro de 2010

Congresso de camponeses começa na sexta-feira em Quito 5 de outubro de 2010



O 5º Congresso da Coordenação Latino Americana de Organizações do Campo (CLOC) e da Via Campesina na América Latina, com a presença de 84 organizações campesinas de 18 países, com um total de 1200 delegados, acontece entre 8 e 16 de outubro, na cidade de Quito, no Equador.



Para Luis Alberto Andrango, secretário-operativo da CLOC-Via Campesina, durante a realização do congresso haverá linhas de debate fundamentais sobre o contexto social e político da América Latina, que proporcionou transformações positivas no continente nos últimos anos.



Andrango assinala ainda que, durante o desenvolvimento do congresso, serão debatidos temas como a Reforma Agrária, a mudança climática na perspectiva dos movimentos camponeses e o saque dos territórios promovido pelas transnacionais.



“É fundamental, neste momento, a formulação de uma proposta pelas organizações e uma discussão profunda do modelo de desenvolvimento dos povos. Além disso, outro elemento importante é a necessidade de debate sobre o rol de governos progressistas e populares e de esquerda e o papel das comunidades no continente.”



O 5º Congresso da CLOC–Via Campesina também discutirá um mecanismo de integração com a Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América (ALBA), com a perspectiva da construção de uma sociedade socialista.



O congresso tem como característica ser um encontro camponês e indígena, no qual será montado um Acampamento na Universidade Central.



A alimentação será fornecida pelos camponeses do Equador. Também no mês de outubro, Quito será sede do 4º Fórum Social Mundial de Migrações e do 10º Festival Internacional de Cinema e Vídeo dos Povos Indígenas.



Agenda

>>> 8 e 9 de outubro: III Assembléia Continental de Jovens

>>> 10 e 11 de outubro: IV Assembléia Continental de Mulheres

>>> 12 de outubro: Mobilização conjunta com o Fórum Mundial das Migrações e abertura do V Congresso da CLOC Via Campesina

>>> 13 ao 16 de outubro: Desenvolvimento do V Congresso da CLOC - Via Camponesa.