sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Agricultores indianos em guerra com a Coca-Cola
8 de outubro de 2009
Em meio à pior seca da Índia em quatro décadas, agrava-se uma disputa pelos recursos hídricos entre os agricultores de Kala Dera, no Estado de Rajastão, e na engarrafadora local da Coca-Cola. Os agricultores e ativistas de Kala Dera que pedem o fechamento da unidade da transnacional afirmam que se não conseguirem fechá-la este ano, tão açoitado pela seca, provavelmente nunca o farão. Kala Dera fica a 40 quilômetros de Jaipur, capital do árido Estado de Rajastão, que tem entre suas principais atrações o deserto de Thar, considerado o sétimo maior do mundo e o terceiro da Ásia.
“As pessoas que administram a fábrica da Coca-Cola são muito influentes e contam com o apoio de políticos do governante Partido do Congresso e do opositor Partido Bharatiya Janada”, disse o ativista e agricultor Rameshwar Prasad Kudi à IPS por telefone desde Kala Dera. “Mas nós temos o povo do nosso lado e continuaremos pressionando para que a fábrica seja fechada”, acrescentou. Kudi, integrante da organização local Kala Dera Sangharsh Samiti, disse que foram violadas várias regras e normas quando da autorização para instalar uma engarrafadora de bebidas em uma área com tradicional escassez de água. E o “obsceno” da coisa é que continua funcionando como de costume em meio a uma severa seca.
Estimativas divulgadas no final de setembro pelo Departamento Meteorológico Indiano, as secas deste ano podem ser piores do que as de 1972, devido à fraca temporada de vento das monções, que entre junho e setembro proporcionam chuvas vitais para 60% da agricultura do país. O Departamento prevê que a região noroeste seja a mais prejudicada pela seca. As escassas chuvas de monções no começo da temporada já afetaram a produção anual de arroz e outros importantes cultivos comerciais, com cana-de-açúcar e amendoim. A água está esgotada nas principais reservas do país, ameaçando a irrigação necessária para manter os cultivos de inverno.
Os especialistas culpam a mudança climática pela falta de água. Inundações graves, secas e tempestades são outros males causados por este fenômeno ambiental no mundo. Kudi disse que os depósitos hídricos esgotados de Kala Dera fazem com que ele e outros produtores não possam retirar água para salvar suas culturas de inverno. Também acusou a Coca-Cola de reduzir ainda mais a água subterrânea com operações de extração que a empresa desmente.
“Usamos menos de 1% da água disponível em Kala Dera, e continuamente buscamos reduzir e reciclar a água usada para nossas atividades de engarrafamento”, disse Kamlesh Sharma, gerente de Relações Públicas e Comunicações da Coca-Cola. Segundo Sharma, a empresa realiza ações para recarregar os lençóis freáticos com recarga hídrica dentro e fora de suas 56 fábricas indianas. “Em Kala Dera criamos o potencial de recarregar o solo com 15 vezes mais água do que usamos em nossa fabrica. Inclusive, com menos chuva do que o normal, estas estruturas podem recarregar muito mais água do que a retirada para o engarrafamento”, afirmou.
Perguntado o motivo de a empresa ter escolhido instalar-se em uma área conhecida pelas secas, Sharma respondeu que a companhia apenas atendia a um plano do governo para transformar Kala Dera, uma esquecida área rural que dependia unicamente da agricultura, em um moderno centro industrial. “Cremos que podemos contribuir positivamente com a água em Kala Dara”, afirmou Sharma, citando dados do governo de Rajastão segundo os quais a queda natural da camada de água nos últimos 10 anos foi menor em Kala Dara (1,83 metro) do que nas áreas vizinhas (2,39 na aldeia de Chomu, 2,28m em Jaipur e 2,43m em Tigariya).
A Coca-Cola afirma que isto é resultado da “administração hídrica” por parte de uma companhia responsável com a perícia no assunto. Para Sharma, é completamente injusto culpar a empresa pela escassez hídrica em Kala Dera, quando a agricultura é a atividade que mais consome água. “Os esforços de conservação devem incluir passos para que os agricultores usem a água de modo eficiente. O que se necessita é uma completa mudança de mentalidade, que não desperdice água com a irrigação tradicional e que aceitem métodos agrícolas como a irrigação por gotejamento”, afirmou.
A Coca-Cola está preparada para ajudar os produtores a fazer essa transição. “No ano passado entramos em uma associação público-privada com a agência governamental Krishi Vigyan Kendra (um serviço de extensão agrícola), para dar assistência aos produtores e implementar projetos de irrigação em Kala Dera”, disse Sharma. “Até agora implementamos 27 projetos de irrigação por gotejamento e planejamos instalar mais 200 nos próximos meses”, acrescentou. O método de gotejamento permite que a água vá diretamente para as raízes, o que minimiza a quantidade de liquido e também de fertilizante.
Porém, os agricultores têm uma postura diferente. Mahesh Yogi, por exemplo, disse à IPS que apesar de a Coca-Cola subsidiar a irrigação por gotejamento o programa é caro e insustentável, devido aos equipamentos que exige, os quais, por sua vez, necessitam de manutenção. “Em Kala Dera há 25 mil agricultores, e simplesmente não é possível cobrir uma quantidade significativa em um breve período. O que faremos nesse ínterim? E quem se preocupará com a futura manutenção?”, perguntou. Yogi acredita que os beneficiários da irrigação por gotejamento foram um punhado de pessoas endinheiradas e influentes que apóiam as atividades da Coca-Cola.
Entretanto, a situação hídrica ficou tão ruim este ano que mesmo as indústrias locais, particularmente as reunidas na Associação da Área Industrial de Kala Dara, uniram-se à campanha contra a Coca-Cola. As reclamações de Kudi e Yogi estão apoiadas pelo informe de um estudo do prestigioso Instituto de Pesquisas Ambientais de Nova Déli, divulgado no ano passado. Essa pesquisa mostra que as operações da Coca-Cola em Kara Dera “continuarão entre as que contribuem para uma pior situação hídrica e são fonte de tensão para as comunidades aldeãs”.
As recomendações do Instituto propõem que a transnacional mude sua fábrica para uma área onde haja água em abundancia ou transporte água até a engarrafadora desde um aquífero, em lugar de recorrer à extração local. O informe foi incentivado por uma campanha internacional liderada por estudantes dos Estados Unidos, do Canadá e da Grã-Bretanha, que incluiu 20 faculdades e universidades, exigindo o fim dos produtos da transnacional em seus campi, por contribuírem para a escassez hídrica e contaminar as áreas onde opera na Índia.
Curiosamente, ativistas contra a Coca-Cola inicialmente se opuseram a escolher o Instituto de Pesquisas Ambientais como “avaliador independente”, porque no passado havia trabalhado com essa companhia e inclusive a apontara como uma das empresas mais responsáveis da Índia em 2001.
Fonte: IPS/Envolverde
O LEGADO DE CHE GUEVARA

O legado de Che
8 de outubro de 2009
Por João Pedro Stedile*
Em 8 de outubro cumpre-se o aniversário do assassinato de Che Guevara pelo exército boliviano. Após sua prisão, em 8 de outubro de 1967, foi executado friamente, por ordens da CIA. Seria ''muito perigoso'' mantê-lo vivo, pois poderia gerar ainda mais revoltas populares em todo o continente.
Decididamente, a contribuição de Che, por suas idéias e exemplo, não se resume a teses de estratégias militares ou de tomada de poder político. Nem devemos vê-lo como um super-homem que defendia todos os injustiçados e tampouco exorcizá-lo, reduzindo-o a um mito.
Analisando sua obra falada, escrita e vivida, podemos identificar em toda a trajetória um profundo humanismo. O ser humano era o centro de todas as suas preocupações. Isso pode-se ver no jovem Che, retratado de forma brilhante por Walter Salles no filme Diários de Motocicleta, até seus últimos dias nas montanhas da Bolívia, com o cuidado que tinha com seus companheiros de guerrilha.
A indignação contra qualquer injustiça social, em qualquer parte do mundo, escreveu ele a uma parente distante, seria o que mais o motivava a lutar. O espírito de sacrifício, não medindo esforços em quaisquer circunstâncias, não se resumiu às ações militares, mas também e sobretudo no exemplo prático. Mesmo como ministro de Estado, dirigente da Revolução Cubana, fazia trabalho solidário na construção de moradias populares, no corte da cana, como um cidadão comum.
Che praticou como ninguém a máxima de ser o primeiro no trabalho e o último no lazer. Defendia com suas teses e prática o princípio de que os problemas do povo somente se resolveriam se todo o povo se envolvesse, com trabalho e dedicação. Ou seja, uma revolução social se caracterizava fundamentalmente pelo fato de o povo assumir seu próprio destino, participar de todas as decisões políticas da sociedade.
Sempre defendeu a integração completa dos dirigentes com a população. Evitando populismos demagógicos. E assim mesclava a força das massas organizadas com o papel dos dirigentes, dos militantes, praticando aquilo que Gramsci já havia discorrido como a função do intelectual orgânico coletivo.
Teve uma vida simples e despojada. Nunca se apegou a bens materiais. Denunciava o fetiche do consumismo, defendia com ardor a necessidade de elevar permanentemente o nível de conhecimento e de cultura de todo o povo. Por isso, Cuba foi o primeiro país a eliminar o analfabetismo e, na América Latina, a alcançar o maior índice de ensino superior. O conhecimento e a cultura eram para ele os principais valores e bens a serem cultivados. Daí também, dentro do processo revolucionário cubano, era quem mais ajudava a organizar a formação de militantes e quadros. Uma formação não apenas baseada em cursinhos de teoria clássica, mas mesclando sempre a teoria com a necessária prática cotidiana.
Acreditar no Che, reverenciar o Che hoje é acima de tudo cultivar esses valores da prática revolucionária que ele nos deixou como legado.
A burguesia queria matar o Che. Levou seu corpo, mas imortalizou seu exemplo. Che vive! Viva o Che!
* Integrante da coordenação nacional do MST e da Via Campesina.
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
censo agropecuario
30 de setembro de 2009
O Censo Agropecuário 2006, divulgado nesta quarta-feira (30/9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra um agravamento da concentração de terras nos últimos 10 anos e o retrato de um modelo de desenvolvimento para o campo que está na contramão das preocupações ambientais e sociais.
A concentração e a desigualdade regional é comprovada pelo Índice de Gini da estrutura agrária do País. Quanto mais perto esse índice está de 1, maior a concentração. O Censo do IBGE mostra um Gini de 0,872 para a estrutura agrária brasileira, superior aos índices apurados nos anos de 1985 (0,857) e 1995 (0,856).
O estudo reafirma o velho quadro da concentração fundiária no Brasil. Os dados levantados apontam que as pequenas propriedades (com menos de 10 hectares) ocupam apenas 2,7% da área ocupada por estabelecimentos rurais. Já as grandes propriedades (com mais de 1000 hectares) ocupam 43% da área total.
O que torna os números assustadores é o fato de as pequenas propriedades representarem 47% do total de estabelecimentos rurais, enquanto os latifúndios correspondem a apenas 0,91% desse total.
Segundo o levantamento de 2006, o Brasil possui 5,2 milhões de estabelecimentos agropecuários, ocupando 36,75% do território nacional.
O Censo mostra que a atividade principal nessas áreas é a criação de bovinos, que ocorre em mais de 30% dos estabelecimentos. Em seguida, estão o cultivo de outras lavouras temporárias (que inclui feijão e mandioca), em cerca de 18% dos estabelecimentos; o cultivo de cereais (12%) e a criação de aves (9%). Na última década, rebanho bovino cresceu 12,1% e o Pará foi o Estado que registrou o maior aumento (119,6%). Apenas 19,9% do total de propriedades que criam gado possuem 80,7% do rebanho do país. O maior rebanho bovino encontrava-se em Mato Grosso do Sul (20,4 milhões de cabeças), seguido por Minas Gerais (19,9 milhões) e Mato Grosso (19,8 milhões).
Os maiores aumentos dos efetivos bovinos entre os censos foram nas Regiões Norte (81,4%) e Centro-Oeste (13,3%). Segundo o IBGE, as reduções do número de estabelecimentos com bovinos e dos rebanhos do Sul e do Sudeste mostram que a bovinocultura deslocou-se do Sul para o Norte do país, destacando-se, no período, o crescimento dos rebanhos do Pará, Rondônia, Acre e Mato Grosso. Nestes três estados da região Norte, o rebanho mais que dobrou, enquanto que em Mato Grosso o aumento foi de 37,2%.
Coincidência?
O estudo também aponta que diminuíram as áreas de florestas e de pastagens naturais mantidos dentro das propriedades rurais. Houve uma redução de 12,1 milhões de hectares (-11%) nas áreas com matas e florestas contidas em estabelecimentos agropecuários. Mais uma vez, a região Norte lidera o ranking do desmatamento, com menos 6,8 milhões de hectares. Mais uma vez o Pará ocupa um lugar de destaque. As propriedades deste Estado apresentaram 3,2 milhões de hectares a menos de floresta. A região Centro-Oeste aparece em segundo lugar, com menos 3,2 milhões de hectares. Pastagens plantadas também se expanderam para o Norte, e lavoura aumenta mais no Centro-Oeste.
Ainda de acordo com o Censo, os estabelecimentos que têm como atividade principal a cana-de-açúcar e a soja ficaram com a maior participação no valor da produção agropecuária (ambos com 14% cada um), seguidos por criação de bovinos (10%), cultivo de cereais (9%) e cultivo de outros produtos da lavoura temporária (8%).
O levantamento demonstra que a modernização das lavouras em função da inserção cada vez maior do país no mercado de commodities mundiais (características das grandes propriedades) ampliou a concentração de terras em algumas regiões do país, como é o caso Centro-Oeste, maior região produtora de soja.
A produção de soja cresceu 88,8% entre 1995 e 2006, alcançando 40,7 milhões de toneladas. O produto foi cultivado em 15,6 milhões de hectares, o que significou ampliação de 69,3% na área colhida.
"Em termos absolutos, representa um aumento de 6,4 milhões de hectares, caracterizando a soja como a cultura que mais se expandiu na última década. Grande parte desta área pertence à região Centro-Oeste", informa o IBGE, em comunicado.
O IBGE aponta também que 46,4% dos estabelecimentos agropecuários cultivaram soja transgênica em 2006. As sementes geneticamente modificadas foram cultivadas em 4 milhões de hectares.
Pequena propriedade emprega e produz mais
O Censo desvendou também a farsa do emprego alardeada pelo agronegócio. Nos pequenos estabelecimentos estão quase 85% dos trabalhadores. Embora a soma de suas áreas represente apenas 30,31% do total de propriedades, os pequenos estabelecimentos respondem por 84,36% das pessoas empregadas. Mesmo que cada um deles gere poucos postos de trabalho, os pequenos estabelecimentos (área inferior a 200 hectares) utilizam 12,6 vezes mais trabalhadores por hectare que os médios e 45,6 vezes mais que os grandes estabelecimentos.
Os dados também mostram que esses trabalhadores fazem parte da agricultura familiar. Produtores e seus parentes representam 77% (ou 12.801.179) do total de ocupados nos estabelecimentos agropecuários.
Apesar de ocupar apenas um quarto da área, a agricultura familiar responde por 38% do valor da produção (ou R$ 54,4 bilhões) desse total. Mesmo cultivando uma área menor, a agricultura familiar é responsável por garantir a segurança alimentar do país gerando os produtos da cesta básica consumidos pelos brasileiros. O valor bruto da produção na agricultura familiar é 677 reais por hectare/ano.
Os dados do IBGE apontam que em 2006, a agricultura familiar foi responsável por 87% da produção nacional de mandioca, 70% da produção de feijão, 46% do milho, 38% do café , 34% do arroz, 58% do leite , 59% do plantel de suínos, 50% das aves, 30% dos bovinos e, ainda, 21% do trigo. A cultura com menor participação da agricultura familiar foi a soja (16%). O valor médio da produção anual da agricultura familiar foi de R$ 13,99 mil.
Enquanto isso...
A pesquisa confirma também as prioridades do atual governo. Dos 5,2 milhões de propriedades existentes, somente 920 mil obtiveram financiamentos para produção, sendo 85% destes receberam de programas governamentais. Dos que não foram agraciados, 3,63 milhões (85,42%) são pequenas propriedades. Já as grandes propriedades, captaram 43,6% dos recursos.
Veneno
A maioria dos estabelecimentos onde houve utilização de agrotóxicos não recebeu orientação técnica (56,3%). O Estado com maior número de estabelecimentos que utilizavam agrotóxicos era o Rio Grande do Sul (273,85 mil).
A aplicação manual dos venenos, por meio do pulverizador costal - que é o equipamento de aplicação que apresenta maior potencial de exposição aos agrotóxicos - é a mais utilizada, presente em 70,7%. Quanto ao destino das embalagens vazias, embora haja um número ainda considerável de estabelecimentos que deixam-nas no campo (126 mil ou 9,0%), há aquelas que são queimadas ou enterradas em 358 mil estabelecimentos (25,7%). Além disso, em cerca de 20% das propriedades que aplicaram agrotóxicos não se utilizava equipamento de proteção.
Para saber mais, confira a íntegra do estudo.

Início
Marcha Estadual do MST em Alagoas começa em Delmiro Gouveia
1 de outubro de 2009
Cerca de 1.500 trabalhadores rurais do MST começaram hoje em Delmiro Gouveia a Marcha Estadual por Reforma Agrária e Soberania Popular, exigindo do poder público o desenvolvimento de uma política de Reforma Agrária que vá além da desapropriação de terras, mas garanta crédito para o cultivo, educação e outras demandas das áreas de assentamentos e acampamentos. “Vejo como positivo, pois muitos vêem o Movimento com olhares distorcidos, quando se sabe da real luta que há”, contesta Ronie Von, morador de Delmiro Gouveia que assistiu ao começo da Marcha.
O ato de abertura percorreu as ruas da cidade e contou com a presença de representantes de vários movimentos de nível local e estadual, culminando com a apresentação do grupo Umburana de Cheiro, de Sergipe. “Já está claro que a concentração de terra e a concentração de renda levam à barbárie. Esta Marcha é uma demonstração de que neste país e em Alagoas há uma exigência da mudança desse quadro”, afirmou Lenilda Lima, representando a Central Única dos Trabalhadores.
Entre as expectativas do MST com esta Marcha é colaborar para a organização de todo o povo no Interior e na Capital, refletindo que a Reforma Agrária é uma luta que compete a todos, por alterar as condições da exploração capitalista não só para quem produz no campo, mas também para quem consome na cidade. Os trabalhadores rurais deixam Delmiro Gouveia na manhã desta quinta-feira (30/09), às 5h da manhã e percorrerão aproximadamente trezentos quilômetros até
(Fotos de Raul Spinassé)
Maceió, conversando com a população sobre problemas locais, entre eles o prejuízo que trazem o Agronegócio e a mineração para os pequenos produtores, o meio ambiente e para a saúde da população em geral.
Todos os dias, os marchantes levantam cedo para caminhar, mas dedicam suas tardes ao estudo de textos e vídeos para formação política. Todas as noites, atrações culturais dos próprios assentamentos embalam o ritmo dos acampamentos da Marcha.

Votorantim continua causando morte no rio São Francisco
5 de outubro de 2009
Por frei Gilvander Moreira
Em 2 de outubro de 2009, dia do nascimento de Gandhi, antevéspera do dia de São Francisco de Assis, patrono do Velho Chico, cerca de 350 pescadores, Sem Terra, sindicalistas e representantes de Movimentos populares e da Via Campesina - membros da Articulação Popular em defesa do rio São Francisco - promoveram manifestação na cidade de Três Marias (MG), às margens do Velho Chico e no portão de entrada da Votorantim Metais.
Às 6h da manhã, após concentração na beira do rio São Francisco, iniciamos uma marcha, atravessando a ponte da BR 040, que está logo abaixo da barragem de Três Marias. Em frente à Votorantim Metais, a BR 040 foi bloqueada durante 30 minutos. Depois, aconteceu um Ato Público durante duas horas no portão de entrada da empresa, onde com faixas, gritos de luta e através de pronunciamento de muitas lideranças e pescadores foram denunciadas as agressões que a Votorantim vem provocando no rio São Francisco há 40 anos. No manifesto distribuído à população, assinado por 22 movimentos populares e sindicatos, consta, por exemplo, que:
a) A Votorantim é uma das principais empresas responsáveis pela poluição do rio São Francisco com metais pesados. Desde o final de 2004 já morreram 200 toneladas de peixes, principalmente surubins adultos contaminados por rejeitos tóxicos lançados pelo processamento de zinco da Votorantim Metais. Só de óxido de Zinco a produção chega a 110 toneladas por dia com 600 dólares de lucro por tonelada. A empresa vende esse produto, principalmente, para Pirelli, Michelin e outras indústrias de pneus que infestam as cidades de automóveis, prestando culto à automovelatria (carrolatria). Além de matar, diretamente, os peixes e, indiretamente, pescadores, causar devastação ambiental e social, a Votorantim infernaliza a vida nas cidades.
b) A Votorantim Metais começou a operar em 1969 e por 14 anos lançou seus rejeitos minerários diretamente no rio São Francisco. Somente em 1983 foi construída uma barragem de contenção de rejeitos. Mas, para facilitar a vida da empresa, a barragem foi construída na barranca do rio na cidade de Três Marias! Os metais pesados, através da infiltração, continuaram a se acumular no leito do rio. Hoje existe, no fundo do rio, um metro e meio de lama tóxica. Quando as comportas da barragem de Três Marias são abertas, essa lama é revolvida, contaminando ainda mais a água e os peixes. A poluição industrial da Votorantim Metais sempre esteve no cerne da contaminação das águas do Rio São Francisco. Por isso, os órgãos ambientais – os que não se vendem – exigiram a desativação da primeira barragem. Umas segunda foi construída pela empresa, mas de forma irregular, desrespeitando normas técnicas exigidas pelos órgãos ambientais. Continuou ocorrendo infiltração e a segunda barragem também foi reprovada. Em 2005, a empresa comprometeu-se em construir uma terceira barragem e cumprir mais 25 TACs – Termo de Ajuste de Conduta. A poluição continua, e não se tem informação sobre o cumprimento dos termos.
c) Relatórios e análises químicas de órgãos ambientais mostram que água, sedimentos e peixes apresentam índices alarmantes de contaminação por metais pesados, muitas vezes acima dos permitidos pelo Conama (Conselho Nacional de Meio Ambiente): zinco – 5.280 vezes; cádmio – 1.140; cobre – 32; chumbo – 42.
d) A CEMIG também foi denunciada pela abertura das comportas da usina de Três Marias para possibilitar os passeios turísticos do barco a vapor Benjamin Guimarães, e em época de outros eventos para camuflar a realidade do rio poluído, degradado e minguante. Com a súbita liberação das águas, muitas plantações dos vazanteiros são destruídas, e a consequência é mais fome.
A manifestação foi ostensivamente acompanhada pela Polícia Militar, que seguia a cartilha que lhe ordena a agir com truculência. Parou os 4 ônibus e revistou todas as pessoas e os pertences. No momento do trancamento da BR 040, policiais empurraram pescadores e Sem Terra, gritando e ameaçando com cacetetes. No Portão da empresa, a polícia impediu que fosse feito um piquete para tentar evitar a entrada dos trabalhadores. Já quase ao meio dia, após percorrermos muitas ruas da cidade de Três Marias, fomos “escoltados” até a sede do Sindicato dos Metalúrgicos, onde ficamos por um certo tempo sitiados.
Após tentar deter os militantes, os policiais foram alertados de que quem deveria ser presa era a Votorantim - pois está contaminando com metais pesados o rio São Francisco.
Belo Horizonte, 4/10/2009, dia de São Francisco de Assis, dia do rio São Francisco.
Frei Gilvander Moreira é mestre em Exegese Bíblica, assessor da Comissão Pastoral da Terra – CPT – e-mail: gilvander@igrejadocarmo.com.br – www.gilvander.org.br

Mercedes Sosa: a mulher que cantou a voz dos excluídos de nossa América
5 de outubro de 2009
Morreu na madrugada deste domingo (4/10) em Buenos Aires, ao 74 anos, a cantora argentina Mercedes Sosa. Sua morte se deu em consequência de uma doença hepática complicada por problemas respiratórios.
Ela havia sido internada em 18 de setembro, depois de ter sofrido uma complicação renal, mas seu estado piorou nos últimos dias por causa de uma falha cardiorrespiratória.
La Negra -- como é carinhosamente chamada em seu país-- é internacionalmente reconhecida pelo seu engajamento e por cantar voz dos excluídos na América. Nascida na cidade de San Miguel de Tucumán em 1935, Sosa teve uma atuação marcante durante a ditadura militar argentina, entre 1976 e 1983 e acabou exilada na Europa.
Mercedes Sosa sempre foi uma grande apoiadora da luta pela Reforma Agrária e companheira dos Sem Terra.
Militantes do MST e Mercedes Sosa, outubro de 2008, RJMilitantes do MST e Mercedes Sosa, outubro de 2008, RJA seguir, leia a nota divulgada pela família da cantora.
"Somos los nietos, los hermanos, los sobrinos, el hijo de quien fue para nosotros algo más y distinto que una gran artista popular. Con ella compartimos la vida, las alegrías y las angustias privadas. Porque esa gran artista fue además nuestra abuela, nuestra hermana, nuestra tía, nuestra mamá. Es por eso que queremos llegar a ustedes desde ese lugar íntimo, lejos de la severidad y la dureza de los comunicados oficiales: porque sabemos que también la quisieron y la siguen queriendo aún mucho más allá de la cantante y de la artista que los acompañó tantas veces, a la que han hecho parte de su familia aún sin tener lazos de sangre.
Es desde este lugar que queremos contarles que Mercedes -la mamá, la tía, la abuela, la hermana-abandonó este mundo el día de hoy. Pero también queremos decirles que estuvo siempre acompañada-inclusive cuando ya no podía saberlo- por un desfile interminable de amigos y artistas populares, y en cada uno de ellos: Ustedes. Y que a pesar de lo triste de cualquier agonía, pasó esos últimos momentos en paz, peleando aguerridamente contra una muerte que terminó ganándole la pulseada.
Por cierto estamos conmovidos y queremos compartir con ustedes esta tristeza. Aunque, al mismo tiempo, nos queda la tranquilidad de que todos hicieron lo posible- incluida nuestra Negra- para quedarse un ratito más entre nosotros.
Lo que más feliz la hacía a Mercedes era cantar. Y seguramente ella hubiera querido cantarles también en este final. De modo que así queremos recordarla y así los invitamos a hacerlo con nosotros. Infinitas gracias por ese acompañamiento que jamás dejó de estar presente.
Familia de Mercedes
(Com informações do jornal Brasil de Fato)
sábado, 3 de outubro de 2009
Nota de apoio a Conferncia da Pesca Artesanal
Nota de apoio a
I Conferencia Nacional dos Pescadores Artesanais do Brasil
A I Conferencia dos Pescadores Artesanais têm o significado político importante dentro da atual conjuntura que estamos vivendo, pelo fato dos pescadores e pescadoras, ribeirinhos das lagoas e dos mares, estarem se afirmando como protagonistas de uma grande luta juntamente com os demais movimentos da Via Campesina contra o hidronegocio.
Uma das grandes lutas dos pescadores e das pescadoras artesanais vem se afirmando no sentido de contrapor a lógica perversa das colônias de pesca criadas e impostas pelo governo, além desta grande luta contra a forma como a marinha age dentro das colônias.
Centenas de comunidades pesqueiras estão sendo vítimas da presença violenta de grandes empresas que estão se apropriando de suas áreas para a criação da piscicultura e carcinocultura, a exemplo da Netuno no Baixo São Francisco.
Por isso apoiamos esta conferência no sentido de fortalecer as comunidades tradicionais pesqueiras para que possam continuar garantindo o controle dos territórios e continuar produzindo nosso alimento: peixe, macaxeira, amendoim, remédios, etc.
Sendo parceiro desta luta, o Movimento dos Pequenos Agricultores deseja que esta conferência seja um marco na construção de um projeto rumo a uma sociedade soberana e livre de todas as amarras do capital.
Brasília, 25 de setembro de 2009.
Coordenação Nacional do MPA.
ORGANIZAR. PRODUZIR. ALIMENTAR.